Ministro russo diz que deverão ser os sírios a decidir o futuro do Presidente

08.02.2012 - 10:22 Por AFP
O destino do Presidente sírio Bashar al-Assad deverá ser decidido “pelos próprios sírios” após negociações entre o regime e a oposição, defendeu nesta quarta-feira o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, um dia após a sua visita a Damasco.
Serguei Lavrov não respondeu directamente a um jornalista que lhe perguntou se teria discutido com o Presidente Assad a possibilidade de este abandonar o poder, optando por responder o seguinte: “Toda a conclusão do diálogo nacional deverá ser o resultado de um acordo entre os próprios sírios, aceite por todos os sírios”.
“Nós apoiamos todas as iniciativas que visem criar condições para o diálogo entre os sírios”, sublinhou Lavrov, “e é isso que deverá fazer a comunidade internacional, quer seja o mundo árabe, a Europa, os Estados Unidos ou outras regiões do mundo”, disse ainda o chefe da diplomacia russa.
“Tentar determinar a priori o resultado do diálogo nacional não é assunto para ser tratado pela comunidade internacional”, sublinhou o ministro, citado pela AFP.
Serguei Lavrov, que se deslocou na terça-feira à Síria para se encontrar com Bashar al-Assad, declarou em Damasco ter tido um encontro “muito útil” com o Presidente sírio, que lhe prometeu “fazer cessar as violências”.
Esta visita aconteceu depois de Rússia e China terem vetado, no sábado, na ONU, um projecto de resolução do Conselho de Segurança. Esse documento, apresentado por países ocidentais e por alguns países árabes, condenva a repressão na Síria.
O veto sino-russo fez levantar a indignação de boa parte da comunidade internacional. De acordo com vários diplomatas e peritos ocidentais, este gesto poderá encorajar o Presidente Assad a continuar a repressão contra os opositores sírios e a verdade é que a cidade de Homs - um bastião da oposição - tem sido massacrada pelo regime de Assad.
Ministro russo recebido em Damasco por milhares de sírios


