O ministro italiano dos Assuntos Sociais, Roberto Maroni, considera que a Itália deveria equacionar o abandono temporário do euro e a adopção da dupla circulação com a lira italiana. As declarações do membro do Governo, citadas pela edição de hoje do "La Repubblica", contribuíram para a queda do euro nos mercados internacionais.
"Não será melhor regressar, temporariamente, a um sistema de dupla circulação?", questiona o ministro. "Na Europa temos o exemplo do Reino Unido, que cresce e se desenvolve, mantendo a sua própria moeda", apontou.
Sobre a hipótese da dupla circulação lira-euro, o ministro defende mesmo a realização de um referendo em Itália.
De acordo com Roberto Maroni, a adopção do euro foi negativa para o crescimento económico: "Ao fim de três anos de circulação, o euro - não por sua culpa mas devido às pessoas que geriram a transição para a moeda única - mostrou que não está à altura de desafios como a perda de competitividade e a crise do emprego".
"O euro é o filho legítimo de um modelo europeu a cujo desaire nós assistimos", acrescentou Maroni.
Roberto Maroni, da Liga do Norte - um movimento populista e anti-europeísta - foi vice-primeiro-ministro e ministro da Administração Interna no primeiro Governo de coligação de Silvio Berlusconi. A partir de Junho de 2001 tornou-se membro do segundo Executivo de Berlusconi, onde assume actualmente as funções de ministro do Trabalho e dos Assuntos Sociais.
O Governo de coligação de Berlusconi, reunido sob a designação genérica de Casa das Liberdades, é composto por membros da Aliança Nacional, Liga do Norte e CCD-CDU (democratas-cristãos), para além de alguns independentes.


