Ministro do Interior palestiniano pede demissão em protesto contra Abbas

23.04.2007 - 14:12 Por Reuters, PUBLICO.PT
O ministro do Interior palestiniano, Hani al-Qawasmeh, apresentou hoje a sua demissão face à recusa do Presidente Mahmud Abbas em abdicar do controlo das forças de segurança, mas aceitou continuar em funções até que esta questão seja discutida.
A demissão vem confirmar uma das maiores debilidades do Governo de unidade nacional palestiniano, formado pelos islamistas do Hamas e a Fatah, de Abbas, em funções há um mês. Um dos seus principais objectivos era pôr fim à violência que se arrasta há mais de um ano entre as duas facções e que já provocou dezenas de mortos.
A missão foi atribuída a Hani al-Qawasmi, um independente sem experiência militar, que enquanto, ministro do Interior, deveria ter assumido o controlo dos vários serviços que integram as forças de segurança, a maioria controladas pela Fatah.
Pressionado pela comunidade internacional para não colocar as armas na mão dos islamistas, Abbas rejeita ceder o controlo das forças de segurança, actualmente comandadas pelo general Mohammad Dahlan, um influente dirigente da Fatah e uma das personalidades mais odiadas pelo Hamas.
No início deste mês, Qawasmi apresentou um plano para restaurar a ordem na Faixa de Gaza, território integralmente controlado pelas autoridades palestinianas desde a retirada militar israelita no final de 2005. Responsáveis ouvidos pela agência Reuters revelaram que o dirigente sentia-se frustrado pela falta de cooperação dos comandantes militares.
"Ele apresentou a sua demissão esta manhã ao primeiro-ministro, mas este recusou-a e pediu-lhe para se manter em funções", afirmou o porta-voz de Ismail Haniyeh.
Segundo o mesmo responsável, após a conversa Qawasmi aceitou manter-se em funções, dando tempo a Haniyeh para discutir o problema com o Presidente palestiniano.
A eventual demissão do ministro do Interior poderá pôr em causa a viabilidade do Governo de unidade nacional, ameaçando a frágil trégua nos territórios palestinianos, numa altura em que tanto a Fatah como o Hamas continuam a reforçar as forças que deles dependem.


