Ministro do Governo angolano classifica críticas de Bob Geldof como "injustas"

07.05.2008 - 18:34 Por Lusa, PÚBLICO
As críticas feitas ontem pelo músico e activista irlandês Bob Geldof ao Governo angolano são consideradas "injustas" e um "exercício puramente gratuito", devendo ser repudiadas. A reacção é de Aguinaldo Jaime, ministro-adjunto do primeiro-ministro angolano, um dia depois de Geldof ter afirmado que Angola é um país "gerido por criminosos".
Durante uma conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, organizada ontem pelo Banco Espírito Santo e jornal "Expresso", Bob Geldof dedicou a sua intervenção de cerca de vinte minutos ao tema "Fazer a diferença". O organizador dos festivais Live Aid e Live 8 começou por se referir às relações históricas e culturais de Portugal com o continente africano."Vocês serão uma voz importante no século XXI", disse. Depois, fez uma pausa e virou o discurso para Angola. "Angola é gerida por criminosos", acusou.
Para o ministro Aguinaldo Jaime, que falava à emissora privada Luanda Antena Comercial, tratou-se de "um exercício puramente gratuito, que não tem em conta a realidade, não tem em conta os positivos avanços que se têm verificado" em Angola, considerando a o comentário de Geldof "injusto" e "de se repudiar".
O membro do Governo de Luanda admitiu que não se pode afirmar que em Angola está tudo perfeito. "Nem estamos a dizer que não há desafios ainda pela frente que temos que vencer", reconheceu.
Mas Aguinaldo Jaime defende que também é necessário sublinhar os resultados positivos: "Deixam-nos a todos encorajados e deixam-nos fundamentalmente seguros de que estão construídas em Angola as bases para um futuro melhor".
No seu discurso, Geldof alegou ainda que "as casas mais ricas do mundo do mundo estão [a ser construídas] na baía de Luanda", chegando a ser "mais caras do que em Chelsea e Park Lane", dois bairros luxuosos de Londres. Aguinaldo Jaime também reagiu à crítica, explicando que o cantor apontou "um exemplo concreto" na marginal de Luanda onde "estariam a ser construídas casas muito caras", através de "um projecto de carácter privado", que está a ser desenvolvido por "uma sociedade privada, cidadãos nacionais e estrangeiros, que entenderam aproveitar as oportunidades que a economia angolana lhes oferece".
Aguinaldo Jaime destacou ainda a forma como o Banco Espírito Santo, cujo grupo tem avultados e dispersos interesses na economia angolana, se demarcou das declarações de Bob Geldof. O ministro-adjunto disse acreditar que aqueles investidores que estão em Angola não se deixarão intimidar pelas declarações de Geldof. "[Os investidores] que conhecem o mercado, conhecem os nossos desafios, não se deixarão intimidar, e muito menos iludir, por este tipo de críticas que não me parecem nada construtivas, antes me parecem um exercício sem fundamento e inteiramente gratuito", concluiu.

