O ministro alemão da Economia e Tecnologia, Michael Glos, apresentou hoje a sua demissão, no meio da pior crise financeira desde a II Guerra Mundial, e a oito meses das eleições legislativas. O seu partido recusou.
Michael Glos enviou uma carta à liderança da União Social-Cristã (CSU, parceiro da coligação governamental) a pedir para ser libertado das suas funções ministeriais depois do escrutínio, marcado para 27 de Setembro, invocando razões pessoais e a necessidade de “renovação” partidária. O ministro telefonou depois à chanceler Angela Merkel a informá-la da sua decisão.
“Farei 65 anos este ano e os meus planos de vida não são compatíveis com pertencer a um Executivo depois de 28 de Setembro”, escreveu na carta, citada pelo jornal Bild am Sonntag e confirmada, segundo a Reuters, pelo porta-voz do partido.
Mas Horst Seehofer, líder do CSU, recusou a demissão, afirmando que o ministro tem a sua “confiança”, anunciou mais tarde a televisão pública ZDF. O CSU sofreu um forte revés nas eleições estaduais de Setembro passado, o que levou Seehofer a assumir a direcção.
A Alemanha – a principal economia europeia, e até há pouco, a terceira do mundo (cedeu agora o lugar à China) – enfrenta o cenário da pior recessão pós-guerra. O Governo de Merkel traçou dois planos de estímulo económico que, juntos, valem 81 mil milhões de euros. Mas Glos ouviu algumas críticas de passividade perante a crise. Tem sido o ministro das Finanças, o social-democrata Peer Streinbruck, a figura mais activa.
A escolha de Glos para a Economia depois das legislativas de 2005 foi recebida com surpresa. Uma vez no cargo, promoveu as pequenas e medias empresas – as chamadas Mittelstand – que formam a espinha dorsal da economia alemã, adianta a Reuters. Tem vindo a defender cortes nos impostos, o que lhe tem valido críticas de alguns dos sociais-democratas que partilham o poder com os conservadores.
“O trabalho como ministro da Economia e da Tecnologia é o ponto alto da minha vida política”, escreveu Glos. “Acima de tudo, foi importante para aplicar medidas eficazes durante a crise económica e financeira”.


