Mineiro chileno veio a Lisboa salientar a importância da fé e da liberdade

06.12.2010 - 13:53 Por Isabel Gorjão Santos
Luis Urzúa foi o último mineiro a sair da mina de San José, no Chile, após 69 dias soterrado. Quase dois meses depois, veio a Lisboa dizer que a fé ajudou os “33” a sobreviver e que “estar livre significa muita coisa”.
Urzúa, de 54 anos, foi o chefe do interminável turno que começou com a derrocada na mina de San José, a 3 de Agosto, e só terminou 69 dias depois com o resgate que apaixonou o mundo. Agora trocou o capacete pelo computador onde guarda as fotos da operação de resgate mais espectacular dos últimos tempos, que esta segunda-feira veio mostrar em Lisboa a convite da Sociedade Central de Cervejas.
O tema da sua palestra é liderança, porque Luis Urzúa era o líder do grupo. Sublinha a importância que a fé teve para a sobrevivência dos mineiros, mas ao longo do seu discurso ouvem-se várias vezes a palavra “verdade”. E explica: “Tudo era conversado, debatido, falava-se com verdade. Porque ao dizer a verdade vai-se conhecendo a pessoas”.
Perante uma plateia de jornalistas, gestores ou curiosos, muitos quiseram saber se houve conflitos naqueles dias de angústia em que os 33 mineiros estavam a mais de 600 metros de profundidade. O ex-chefe de turno nega que tenha havido situações graves, mas lembra as condições em que todos se encontravam. “No dia-a-dia há sempre pequenos ou grandes problemas que temos de solucionar. Neste caso, foi uma situação em que nunca tínhamos pensado, uma coisa que não tem nome para a podermos dizer”.

