Milhares protestam em Madrid contra política antiterrorista do Governo

10.03.2007 - 19:51 Por PUBLICO.PT
Centenas de milhares de pessoas participaram, esta tarde, em Madrid, numa manifestação organizada pelo Partido Popular para contestar o que dizem ser a "rendição" do Governo à chantagem da ETA, como foi a recente decisão de colocar em prisão domiciliária o etarra Inaki Juana “Chaos”.
Encabeçados por uma faixa onde podia ler-se “Espanha pela Liberdade. Não a mais concessões à ETA”, largos milhares de pessoas – dois milhões e meio, segundo o PP, centenas de milhares segundo a polícia – percorreram o centro da capital espanhola, gritando palavras de ordem contra José Luís Zapatero.
“Quem ajuda um assassino é cúmplice de assassinato”, podia ler-se num cartaz, enquanto outro dizia que “Espanha merece outro presidente” de Governo. Apesar dos apelos à moderação dos organizadores, as palavras de ordem mais ouvidas foram “Zapatero para a prisão” ou “Zapatero, traidor”, num protesto em que ainda se avistaram bandeiras espanholas com as armas do regime franquista, referem as edições online dos diários “El Mundo” e “El País”.
Além dos milhares de bandeiras distribuídos durante o protesto, muitos manifestantes envergavam na lapela um laço azul, símbolo original da unidade do país contra a ETA, mas que nos últimos meses foi apropriado pela oposição para contestar a política antiterrorista do Governo socialista.
Na frente da marcha, que terminou na Praça Colón, esteve sempre a cúpula da oposição conservadora, com o presidente do Governo espanhol, José Maria Aznar, a juntar-se ao presidente do PP, Mariano Rajoy. Ao seu lado, familiares das vítimas de acções da ETA, como os dois imigrantes equatorianos mortos no atentado contra o areoporto de Barajas, em Dezembro – acção que levou o Governo socialista a pôr fim à negociações com a organização armada basca.
Ainda o cortejo não tinha acabado e já o secretário-geral do maior partido da oposição, Angél Acebes, garantia que o protesto de hoje – o primeiro que o PP convoca desde a tomada de posse de Zapatero, em 2004 – fará parte dos “momentos decisivos da história de Espanha”.
No final do protesto, Rajoy leu um duro comunicado, no qual acusou o Governo de “ceder” à “chantagem” quando decidiu colocar em prisão domiciliária De Juana, que se encontrava há mais de cem dias em greve de fome.
Condenado em 1987 por 25 assassinatos, o etarra protestava contra uma segunda pena a que foi sentenciado em 2005, quando estava prestes a ser libertado. O Governo alegou razões humanitárias para deixar que De Juana cumpra em prisão domiciliária o último ano de pena.
“O Governo alterou as regras, ultrapassou os procedimentos e enganou os espanhóis para libertar um terrorista”, acusou Rajoy, afirmando que este é o preço que o Governo “está a pagar para negociar com a ETA”.

