Dezenas de milhares de pessoas participaram esta tarde na “Marcha sobre o Pentágono”, em Washington, para exigir o fim da guerra do Iraque, a dias de se completar o quarto aniversário da invasão.
A manifestação, a mais mediática das várias iniciativas agendadas para hoje, foi realizada 40 anos depois de um protesto semelhante contra a guerra do Vietname, que marcou o início de uma vaga de contestação nacional ao conflito.
A marcha desta tarde, reunindo perto de 50 mil manifestantes, segundo a imprensa americana (a polícia recusou avançar números) começou junto ao Memorial da Guerra do Vietname, a poucos quarteirões da Casa Branca, e avançou pelas margens do rio Potomac, em direcção ao Pentágono. À chegada à sede do Departamento de Defesa, a marcha tinha à sua espera dezenas de polícias de choque, mas apesar de alguma tensão não se registaram incidentes.
Na frente da marcha, podia ler-se num dos cartazes “Os piores tiranos de sempre: Napoleão, Hitler e Bush”, mas mais visíveis eram os placares amarelos transportados por centenas de manifestantes onde, a letras negras, se exigia “América for a do Iraque”.
Os protestos para exigir o fim da guerra no Iraque – que em quatro anos já custou a vida a mais de 3200 militares americanos – arrancaram ontem com uma concentração frente à Casa Branca, organizada pela Christian Peace Witness for Iraq. Duas dezenas de pessoas foram detidas por participar numa manifestação não autorizada.
A manifestação de hoje, convocada pela organização pacifista Answer, é considerada o ponto alto do fim-de-semana de protestos, mas os organizadores admitem que a tempestade de neve que ontem se abateu sobre o nordeste do país contribui para uma afluência menor do que a esperada.
“Estamos no 40º aniversário da manifestação contra a guerra do Vietname que mudou o rumo dos acontecimentos e nós esperamos poder fazer o mesmo hoje”, afirmou à AFP, Alan Pugh, um estudante de 27 anos vindo de Cleveland, no Ohio.
Várias centenas de apoiantes da Administração Bush reuniram-se também junto ao Memorial, para uma contra-manifestação, obrigando a polícia a reforçar o dispositivo de segurança para evitar incidentes. No meio da concentração, que incluía vários veteranos da guerra do Iraque e familiares, eram visíveis cartazes com palavras de ordem como “Vencer a guerra ou perder para a Jihad” ou “Os esquerdistas encorajem o inimigo”.
Além de Washington, a Answer organiza hoje manifestações semelhantes em São Francisco, Los Angeles, numa iniciativa que teve eco em vários países, de Espanha à Austrália, do Reino Unido ao Canadá.



