Milhares de manifestantes libaneses forçaram a entrada na sede da delegação das Nações Unidas em Beirute, partindo janelas e saqueando os gabinetes da ONU, forçando os funcionários no seu interior a refugiar-se na cave do edifício. A carga surge na sequência do raide da aviação israelita que bombardeou e matou mais de 50 pessoas em Qana, no Sul do Líbano.
Cerca de duas mil pessoas, segundo as estimativas da Reuters, juntaram-se no exterior do edifício, na baixa da capital libanesa, e, segundo testemunhas, atiraram pedras contra o prédio, partindo janelas.
Os manifestantes cantavam "Morte a Israel, morte à América. Sacrificamos o nosso sangue e alma pelo Líbano".
A bandeira das Nações Unidas foi arrancada do estandarte em que se erguia e rasgada e despedaçada.
A Reuters noticia ainda que membros do Hezbollah, o grupo xiita com representação parlamentar que sequestrou os dois soldados israelitas na origem da ofensiva de Israel sobre o Líbano, estavam no local e tentaram controlar a multidão furiosa.
Os manifestantes cantaram novamente, apelando desta feita ao líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, que lance ataques com "rockets" contra Telavive, capital israelita. "Oh Nasrallah, oh nosso estimado, destrói, destrói Telavive".
Um aliado político do Hezbollah, o deputado Nabih Berri do partido Amal, apelou aos manifestantes que parassem o ataque ao edifício. "Dêem ao mundo uma oportunidade de nos apoiar", disse, em declarações a uma televisão local.
No interior, e segundo o porta-voz da ONU, Khaled Mansour, os estragos são evidentes mas nenhum funcionário da ONU ficou ferido. Estão refugiados na cave do edifício.
Khaled Mansour descreveu ainda a situação como "tensa". "Percebemos a raiva e a ira das pessoas no exterior por causa do bombardeamento israelita, mas não compreendemos porque é que o edifício da ONU e o seu pessoal, muitos deles libaneses, têm culpa".


