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Pequim acusa uigures de quererem independência

Milhares de chineses han protestam nas ruas de Xinjiang contra muçulmanos uigures

04.09.2009 - 09:44 Por Dulce Furtado

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Forças de segurança voltaram às ruas de Urumqi Forças de segurança voltaram às ruas de Urumqi (Nir Elias/Reuters )
As forças de segurança chinesas usaram hoje gás lacrimogéneo para dispersar uma volumosa manifestação de chineses han na cidade de Urumqi, capital da região de Xinjiang, no noroeste da China, onde a etnia muçulmana turcomana uigure é maioritária.

Os manifestantes exigiam maiores garantias de segurança por parte das autoridades, na esteira de uma série de supostos ataques com seringas hipodérmicas que afirmam terem sido feitos por uigures.

A acusação feita pelos han – etnia maioritária na China mas pouco expressiva em Xinjiang – recebeu hoje, de resto, o aval das autoridades com o líder local do Partido Comunista a descrever os apunhalamentos com seringas como um “crime terrorista” levado a cabo por “forças separatistas”: “O objectivo é o de criar a divisão étnica e inflamar o antagonismo entre as etnias numa tentativa para perturbar a ordem social e dividir a nação chinesa”, afirmou Li Zhi, num discurso transmitido pelas rádios.

O regime de Pequim acusa os uigures de visarem a independência e de agirem em aliança com militantes islamistas na região de Xinjiang onde ocasionalmente são registados atentados à bomba. Desde a semana passada que o Governo emitiu mensagens de alerta sobre a ocorrência de ataques em Xinjiang feitos com seringas hipodérmicas, causando o pânico na região.

Segundo dia de nova fase de protestos

Os protestos dos han entram hoje no segundo dia consecutivo, ganhando uma mais relevante expressão nas ruas, com os manifestantes a exigirem das autoridades, também, um pulso mais firme contra os uigures que afirmam terem causado os violentos motins de há dois meses em que morreram mais de 190 pessoas. “O problema é que já ninguém se sente seguro”, sublinhava um dos manifestantes, citado pelas agências noticiosas, afirmando que os responsáveis pelas mortes de Julho continuam “sem serem julgados nem castigados”.

Uma manifestação ocorrida a 5 de Julho passado, em que uigures protestavam contra a morte de dois membros da sua etnia numa fábrica no sul da China, transformou-se num violento motim em que muitas propriedades de chineses han foram tomadas como alvo. Nos dias seguintes uma série de protestos e actos de retaliação e vingança saldaram-se numa elevada perda de vidas. Desde então Urumqi e toda a região de Xinjiang têm estado sob um reforçado aparato de segurança.

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Os mouros meteram-se com os tipos errados. Na China, ninguém se vai preocupar com os danos ...

António Oliveira

04.09.2009 10:24

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