Angela Merkel foi hoje reeleita presidente da União Democrata-Cristã (CDU), o principal partido do governo alemão, no 22º Congresso Nacional, em Estugarda, com 94,8 por cento de votos favoráveis. O resultado obtido pela chanceler alemã foi ainda melhor do que os 93 por cento no Congresso de Dresden, há dois anos, que já tinha sido o apoio mais expressivo à sua política desde que assumiu a liderança da CDU, em 2000.
A favor de Angela Merkel, a única candidata ao cargo, votaram 844 delegados, e houve ainda 46 votos contra e 16 abstenções. No discurso que fez logo após a abertura do Congresso, hoje de manhã, a chanceler centrou-se na actual crise financeira internacional. Merkel fez um apelo ao políticos para "mostrarem finalmente" que aprenderam as lições de crises anteriores e advertiu que as pessoas "não podem continuar a viver acima das suas possibilidades".
A chanceler advogou "uma resposta qualitativa" à crise, a nível nacional, europeu e mundial, em estreita cooperação entre os organismos internacionais, mas no quadro das condições específicas de cada país. Acusada por alguns sectores nacionais e também europeus de passividade no combate à crise, Merkel respondeu indirectamente, dizendo que tem havido "muitos peritos" a fazer prognósticos, "alguns dos quais não eram peritos, mas só agora se sabe".
No mesmo contexto, voltou a recusar uma rápida descida de impostos, sugerida, nomeadamente, pela Comissão Europeia, mas também pelo partido irmão, a CSU da Baviera, afirmando que não participará "numa corrida sem sentido aos biliões". De seguida garantiu, no entanto, que o seu governo manterá "todas as opções em aberto" para combater a crise, lembrando a recente aprovação de um programa de 32 mil milhões de euros de incentivos a investimentos, para os próximos dois anos.
Crise financeira
Além disso, foram dadas garantias à banca de 400 mil milhões de Euros e disponibilizaram-se mais 80 mil milhões de para medidas de refinanciamento, a fim de evitar o colapso do sistema financeiro, "a bem dos aforradores, e não dos bancos", sublinhou. Merkel afirmou que o estado tem de assumir um papel-chave na economia, e sugeriu a exportação da economia social de mercado, "um modelo alemão de sucesso", para a Europa e para o resto do mundo. E defendeu ainda a criação de uma ONU para a economia, considerando que o G-8 e o G-20, apesar da sua importância, são insuficientes para abordar os problemas da actual ordem internacional.
Mais adiante, considerou "necessário e correcto" o pacote de investimentos anunciado na quarta-feira pela Comissão Europeia, mas acrescentou que é preciso haver mais flexibilidade na atribuição dos fundos estruturais e das ajudas dos estados membros. Quanto à protecção climática, um dos temas centrais do conclave democrata-cristão, disse esperar que a nova administração norte-americana "faça seguir actos a palavras" e dê novos impulsos para ajudar a resolver esta questão.
Nas poucas abordagens que fez à política externa durante o discurso, Merkel reafirmou que a Alemanha não aceitará que o Irão possua armas nucleares, advogou o reforço do combate à pirataria e da estabilidade no Afeganistão. O Congresso debateu e aprovou entretanto a principal moção da direcção nacional, em que a CDU se reafirma como grande partido centrista. Como medida concreta, preconiza-se, nomeadamente, uma redução de impostos para baixos e médios rendimentos para depois das legislativas de Setembro de 2009. Os trabalhos encerram amanhã, após o debate e votação de uma moção sobre a defesa do consumidor, a protecção climática e os recursos energéticos e outra sobre o papel da CDU leste-alemã na extinta RDA, durante a ditadura comunista.


