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Aniversário da queda do Muro de Berlim

Merkel recebida em Washington com honras reservadas aos grandes aliados

04.11.2009 - 09:01 Por Teresa de Sousa

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A chanceler da Alemanha falou ontem no Congresso dos Estados Unidos A chanceler da Alemanha falou ontem no Congresso dos Estados Unidos (Reuters)
Uma, duas, três... Deixou de valer a pena contar as vezes que o Congresso norte-americano se ergueu para aplaudir de pé as palavras de Angela Merkel.

Ontem, Washington estendeu a passadeira vermelha à chanceler da Alemanha. Ofereceu-lhe uma honra raramente concedida a um líder estrangeiro - contam-se pelos dedos de uma mão os grandes e velhos aliados britânicos que a mereceram. Konrad Adenauer, o chanceler que fundou a República Federal, apenas falou perante a Câmara dos Representantes em 1957. Angela Merkel não desmereceu a distinção.

Num discurso de 30 minutos, a chanceler invocou com palavras fortes, simples e sinceras a história do seu país e a sua própria história para expressar a dívida de gratidão "eterna" aos Estados Unidos. "Eu sei, os alemães sabem, até que ponto vos estamos gratos. Até que ponto eu vos estou grata". "Obrigada."

Nancy Pelosi, a líder da Câmara dos Representantes, convidou-a no quadro das celebrações do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim. Merkel começou por lembrar um outro 9 de Novembro, não o de 1989, mas o de 1938, "que deixou uma marca inapagável" e que a História registou como a Noite de Cristal. "Foi o início daquilo que se transformou numa ruptura com a civilização". (...) Não posso apresentar-me perante vós sem prestar homenagem às vítimas desse dia que marca o início do Holocausto".

Berlim esteve no epicentro da Guerra Fria. Merkel agradeceu aos soldados americanos que a libertaram, aos aviadores americanos que garantiram a sua sobrevivência durante o bloqueio de 1948. Invocou JFK e Ronald Reagan, desafiantes e solidários, junto ao Muro. "Nunca me esquecerei das suas palavras [de Reagan]: Senhor Gorbatchov, derrube este muro!". Ela que ouviu o seu eco do outro lado do muro e que "nem nos sonhos mais loucos imaginara alguma vez estar ali, enquanto chanceler da Alemanha." Agradeceu a George W. H Bush, o Presidente que garantiu as condições da reunificação. Contou a sua vida de jovem alemã de Leste fascinada pela "terra de todas as oportunidades" que lhe chegava nos livros proibidos. "Nada me é tão caro como a força da liberdade."

Falou com a segurança de líder do país mais poderoso da Europa. Preparado para responder ao desafio que lhe foi lançado em 1989 pelo então Presidente Bush para forjar com a América "uma parceria para a liderança".

Angela Merkel sabe que é esse também o desejo da administração Obama. O Presidente, que a recebeu na Casa Branca antes de falar ao Congresso, não poupou palavras para sublinhá-lo. Saudou-a como uma "líder extraordinária" de um país que é "um aliado extraordinariamente forte num vasto leque de questões" e que é "um pilar extraordinário das relações transatlânticas."

Mais sóbria, a chanceler apenas lhe prometeu "discussões intensas." Sobre temas que não escamoteou perante os congressistas. Deixou para o fim a parte mais exigente do seu discurso sob o ponto de vista político. Começou pelo Irão. O que disse não poderia ter agradado mais à assistência. "Uma arma nuclear nas mãos de um Presidente iraniano que nega o Holocausto, que ameaça Israel e que nega o seu direito à existência é inaceitável". "Isso não é negociável. Agora e sempre". A Alemanha (com a França e o Reino Unido) tem um papel central nas negociações com o regime de Teerão. Washington precisa de poder contar com ela quando e se tiver de se confrontar com a necessidade de forçar a mão a Teerão.

A chanceler reservou para o fim a mensagem porventura mais urgente que levou a Washington, quando poderia contar com uma assistência rendida. "Não há um minuto a perder. Precisamos de um acordo [na cimeira de Copenhaga, em Dezembro] em torno de um objectivo: o aquecimento global não pode exceder os dois graus [até ao final do século]."

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...

o pessoal acredita em tudo o que lhe dizem somos muitos milhões de parvos aqui na Europa, as ...

Anónimo

04.11.2009 12:38

X

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