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Menos americanos acreditam que a sua cultura é superior

21.11.2011 - 17:05 Por Kathleen Gomes, em Washington

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Os mais velhos e os mais conservadores acreditam na superioridade dos EUA Os mais velhos e os mais conservadores acreditam na superioridade dos EUA (Reuters)
Uma sondagem mostra que a noção de excepcionalismo americano está em declínio nos Estados Unidos.

Reflectindo sobre o patriotismo americano em 1835, Tocqueville notou que ele era "insaciável" e "incómodo". "Fatiga até mesmo aqueles que o honram", escreveu o francês em Da Democracia na América.

Mas a emergência de novas potências mundiais, em particular a China, e o pessimismo nacional alimentado por uma taxa de desemprego elevada e pelo abrandamento da economia dos EUA parecem estar a produzir efeitos na velha crença americana de que o seu país é excepcional.

Segundo um inquérito do instituto de pesquisa Pew, divulgado há dias, um em cada dois americanos acredita que a sua cultura é superior a outras - o que pode soar excessivo aos ouvidos de um europeu, mas para os americanos é um sinal de que a noção de excepcionalismo americano está em declínio. Em 2002, 60% dos americanos acreditavam na superioridade do seu país. Em 2011, apenas 49% concordam com a frase "Não somos perfeitos, mas a nossa cultura é superior às outras", contra 46% que discordam.

O Pew Research Center conclui que "o público americano está mais próximo dos europeus na percepção de que a sua cultura não é superior às outras". O estudo comparativo, que foi igualmente conduzido em quatro países europeus - Alemanha, Espanha, França e Reino Unido - mostra que os americanos não estão assim tão longe dos alemães (47% defendem a superioridade da sua cultura) ou dos espanhóis (44%). Seguem-se os britânicos (32%) e, por fim, os franceses (27%). Em todos os países, são sobretudo as pessoas acima da faixa etária dos 50 anos e sem formação universitária que mais defendem esta ideia.

O excepcionalismo americano tem sido um tema recorrente na campanha do Partido Republicano às eleições presidenciais do próximo ano, com quase todos os candidatos sem excepção a acusarem o Presidente Barack Obama de capitular perante os interesses de outros países e de não acreditar no carácter especial da nação.

"Neste momento temos um Presidente que pensa que a América é apenas um país como os outros", disse Mitt Romney há uma semana, no mais recente debate entre candidatos republicanos. "A América é uma nação excepcional." Em Outubro, o governador texano, Rick Perry, afirmou numa convenção do eleitorado ultraconservador que "as pessoas que estão hoje na Casa Branca não acreditam no excepcionalismo americano". "Elas preferem emular as políticas falhadas da Europa", disse.

Pouco importa que Obama, ele próprio, tenha reafirmado a sua crença no excepcionalismo americano em discursos à nação, ecoando Reagan, um republicano que explorou generosamente a ideia para garantir a sua reeleição em 1984. O argumento do excepcionalismo é música para os ouvidos do eleitorado republicano: segundo o estudo do Pew, 63% dos conservadores americanos acreditam na superioridade dos EUA, comparado com 34% dos "liberais" (esquerda) e 45% dos chamados "independentes" (centro).

E, numa altura em que 71% dos americanos dizem que a estatura dos Estados Unidos no mundo está em queda, a insistência no tema do excepcionalismo oferece a alguns eleitores uma "contra-narrativa reconfortante", como nota o “New York Times”.

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Comentário + votado

Subscrevo totalmente...

Ricardo de Odeceixe, eu mesmo já tive essa "guerra" com imensa gente, mas sabe, ainda á imensos ...

Ricardo

22.11.2011 11:45

X

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