O Presidente russo entende que os exercícios militares que a NATO planeia realizar no próximo mês na Geórgia são perigosos e podem pôr em causa o reatamento das relações entre Moscovo e a aliança ocidental.
“Penso que é uma decisão errada, uma decisão perigosa”, declarou Medvedev, lamentando que a Aliança Atlântica tenha decidido participar “em jogos de guerra num local onde até há pouco tempo existiam tensões elevadas”.
O chefe de Estado russo, que falava numa conferência de imprensa com o seu homólogo do Azerbeijão, acrescentou que “este tipo de decisões são decepcionantes e não vão facilitar o reinício pleno dos contactos entre a Federação Russa e a NATO”.
As relações entre os dois blocos foram suspensas no Verão passado, depois de as tropas russas terem entrado na Geórgia em Agosto, em resposta à ofensiva lançada por Tbilissi contra a região separatista pró-russa da Ossétia do Sul. Na sequência da operação, a região, tal como a vizinha Abkházia, declarou a independência, continuando sob protecção dos militares russos.
No mês passado, a NATO decidiu retomar progressivamente os contactos com Moscovo, no âmbito do reatamento das relações prometidas pela nova Administração norte-americana. Mas os dois blocos mantêm as divergências sobre a Geórgia, país que pretende juntar-se à Aliança Atlântica, para desagrado da Rússia, que vê a Aliança Atlântica a entrar pelo que considera o seu espaço vital.
A organização transatlântica anunciou anteontem que vai organizar exercícios na Geórgia entre os dias 6 de Maio e 1 de Junho, no âmbito do programa de Parceria para a Paz, uma iniciativa de que Tbilissi faz parte. Medvedev garante que Moscovo vai “seguir muito atentamente o que se vai passar” no país vizinho e admite “tomar uma decisão, se tal se revelar necessário”.


