Médio Oriente: Segundo muro vai criar zona tampão na Faixa de Gaza

13.03.2005 - 10:03 Por AFP, PUBLICO.PT
Os trabalhos de construção de uma segunda barreira ao longo da Faixa de Gaza vão ser iniciados nas próximas semanas, noticiou hoje a rádio pública israelita. Israel quer erguer um segundo "muro" em território israelita com o objectivo de impedir a entrada de terroristas no Estado judaico.
Segundo a rádio, o Ministério da Defesa vai escolher na próxima semana os empreiteiros que vão construir o novo muro de separação com o território palestiniano.
Esta obra vai permitir criar uma zona tampão, de cerca de 70 metros de largura, em consonância com o muro que já existe, com o objectivo de impedir a entrada de activistas palestinianos em território israelita. Essa "terra de ninguém" será vigiada por uma rede de câmaras de filmar e patrulhada por veículos telecomandados, acrescentou a rádio israelita.
O novo muro deverá estar concluído antes do início da evacuação da Faixa de Gaza dos 21 colonatos israelitas instaladas nesta região, que deve começar a partir de 20 de Julho e durar entre três e quatro semanas.
A barreira existente, equipada com um dispositivo electrónico, foi estabelecida um ano após os acordos de Oslo de 1993 sobre a autonomia palestiniana e isola quase hermeticamente os palestinianos que habitam neste território de 362 quilómetros quadrados.
O muro na Faixa de Gaza segue, em geral, a antiga linha de cessar-fogo que vigorava entre o território israelita e este território palestiniano até a Junho de 1967. Os líderes israelitas justificaram a construção de uma barreira de cerca de 700 quilómetros na Cisjordânia referindo o muito fraco número de infiltrações de activistas palestinianos a partir da Faixa de Gaza registadas desde o levantamento do muro.
No entanto, num parecer formulado em Julho de 2004, o Tribunal Internacional de Justiça (CIJ) considerou ilegal a construção desta barreira na Cisjordânia e exigiu o seu desmantelamento, tal como fizeram posteriormente as Nações Unidas. Israel, que não participou nas audiências do CIJ, recusou ter em conta tais pedidos.
Apresentado por Israel como uma "barreira anti-terrorista", a construção é qualificada como "muro do apartheid" pelos palestinianos, porque entra na Cisjordânia e torna problemática a criação de um Estado palestiniano.

