O médico de que acompanhou os últimos momentos de vida de Michael Jackson e que lhe terá administrado uma dose de Demerol antes de o cantor morrer na quinta-feira, vítima de paragem cardíaca, reiterou que não é considerado suspeito, após ter falado pela segunda vez com a polícia de Los Angeles.
O segundo encontro entre o cardiologista Conrad Murray e departamento da polícia de Los Angeles decorreu esta madrugada e os investigadores confirmaram que o clínico não é um suspeito, mas sim “uma testemunha da tragédia”, disse a porta-voz do médico, Miranda Sevcik.
Uma fonte policial ouvida sob anonimato pelo diário "Los Angeles Times" confirmou as declarações da porta-voz, afirmando que os investigadores não encontraram nenhuma “bandeira vermelha” durante o interrogatório e que não há qualquer sugestão de a morte de Jackson possa ter tido origem criminosa.
Entretanto, o diário californiano adianta que a segunda autópsia, pedida na sexta-feira pela família de Jackson, já terá sido realizada por um patologista privado.
O jornal explica que a autópsia independente pode dar informações sobre as causas da morte muito mais depressa do que um exame oficial a um cadáver, uma vez que neste caso é necessário seguir uma metodologia que permita chegar a uma explicação que possa ser defendida num tribunal, explicou Michael Baden, um médico que esteve ligado aos processos dos crimes de homicídio pelos quais foram julgados o futebolista O.J. Simpson e o produtor musical Phil Spector.
Baden acrescentou que um exame privado pode obter muito mais depressa resultados quanto às drogas que estariam no corpo à hora da morte.
Ama confirma dependência
A ama que durante anos cuidou dos três filhos de Michael Jackson disse hoje ao jornal britânico "Sunday Times" que fazia frequentemente lavagens ao estômago do cantor por causa dos cocktails de drogas que este ingeria.
Grace Rwaramba, de 42 anos, que sábado viajou de Londres para Los Angeles, disse que Jackson tomava oito medicamentos diferentes por dia, incluindo três analgésicos.
“Houve uma altura em que as coisas estavam tão mal que não deixava as crianças vê-lo. E comia muito pouco e fazia misturas em excesso”, disse ao jornal.
Rwaramba trabalhou durante dez anos para o músico, primeiro como secretária e depois como ama dos três filhos de Michael Jackson, Prince Michael Junior, de 12 anos, Paris, de 11 e Prince Michael II, de 7.
A ama, que é natural do Ruanda, foi despedida em Dezembro, depois de ter pedido à mãe do cantor, Katherine, e à irmã, Janet, que o convencessem a curar-se da sua dependência.
Rwaramba deverá ser ouvida no âmbito do inquérito à morte de Jackson. A polícia quererá ainda ouvir outra figura relacionada com Jackson, identificada pelo site TMZ com o dr. Thome Thome, um amigo pessoal do cantor que estaria “indirectamente ligado” a receitas de medicamentos relacionados com a sua morte. Mas Thome disse ao site não ter qualquer relação com a morte ou com a medicação de Michael Jackson.
O mesmo site adianta que o clã Jackson, que continua reunido na casa da família em Encino, na região de Los Angeles, não se oporá a que Debbie Rowe, a mãe de Prince Michael e de Paris, possa ver os filhos, mas entende que estes deverão ficar sob a custódia da avó.


