McCain considera Sarah Palin a melhor escolha para reformar a política americana

29.08.2008 - 19:49 Por PÚBLICO
John McCain apresentou hoje a governadora do Alasca Sarah Palin, a sua candidata à vice-presidência, como a melhor escolha possível “para reformar Washington”.
“Ela é exactamente o que este país precisa para me ajudar a lutar contra a velha política de Washington do ‘eu primeiro, o país depois’”, declarou o candidato republicano à Casa Branca, perante 15 mil apoiantes reunidos num comício no Ohio, no dia em que celebra 72 anos.
Apesar da pouca experiência política e de ser uma figura quase desconhecida a nível nacional, McCain elogiou a “fibra, a integridade, o bom senso e a firme devoção à causa pública” de Palin, a primeira mulher e a mais jovem governadora do estado do Alasca.
“É exactamente disso que precisamos hoje em dia em Washington”, sublinhou o candidato, que horas antes surpreendera os analistas ao anunciar que escolhera para sua “número dois” uma quase desconhecida da opinião pública e que só nos últimos dias chegou a ser admitida como alternativa ao governador do Minnesota, Tim Pawlenty, e a Mitt Romney, o candidato batido por McCain nas primárias republicanas.
Palin, que surgiu no palco rodeada pelo marido e pelos filhos, agradeceu a McCain pelo “grande desafio” que lhe colocou: “Sei que vai exigir o melhor que tenho para dar e não prometo menos”.
A ainda governadora sublinhou que a candidatura republicana é aquela que está em melhores condições de reformar a política americana e lembrou a “luta contra a corrupção” que assumiu desde que chegou à política.
Apesar de creditada com a ala mais conservadora dos republicanos, os analistas acreditam que a escolha de McCain se prendeu com a necessidade de recolher o apoio entre o eleitorado feminino e, em particular, entre os apoiantes de Hillary Clinton que ficaram desagradados com a vitória de Barack Obama nas primárias democratas.
Na sua primeira intervenção, a candidata à vice-presidência não esqueceu este eleitorado, prestando homenagem às mulheres envolvidas na política, incluindo Hillary Clinton, sublinha a BBC online. “Esta semana alguém notou [na convenção democrata] em Denver que Hillary conseguiu 18 milhões de apoiantes. Mas afinal, parece que as mulheres da América ainda não se deram por vencidas”, declarou, perante o aplauso entusiástico da multidão.
Palin é a primeira mulher republicana candidata à vice-presidência e pode ser a primeira a assumir o cargo. Em 1984, Geraldine Ferraro foi a "número dois" da candidatura democrata liderada por Walter Mondale, que viria a ser derrotado por Ronald Reagan.
Numa primeira reacção à divulgação do segredo mais bem guardado da campanha republicana, a candidatura de Obama classificou a escolha de McCain como “irresponsável”, aludindo à pouca experiência da governadora, há apenas dois anos no cargo. “Hoje, John McCain escolheu uma antiga ‘mayor’ de uma cidade de nove mil habitantes, sem qualquer experiência polícia a um passo da presidência”, afirmou Bill Burton, porta-voz do candidato democrata.
A escolha conservadora
Licenciada em jornalismo e comunicação, Palin foi "mayor" da pequena cidade de Wasilla, no Alasca antes de ser nomeada, em 2003, para a Comissão de Conservação do Gás e Petróleo do Alasca, entidade responsável pela gestão dos recursos naturais do estado. Enquanto responsável pelo pelouro de ética, denunciou irregularidades e conflitos de interesses na gestão da entidade, acabando por demitir-se um ano mais tarde, em conflito com os seus correligionários, a quem acusou de falta de ética.
Dois anos mais tarde bateu o então governador Frank Murkowski nas primárias republicanas e depois venceu o candidato democrata Tony Knowles nas eleições estaduais. No seu primeiro mandato enquanto governadora, fez aprovar leis destinadas a reforçar a ética política, mas o seu nome tem também sido envolvido em suspeitas de abuso de poder.
Com 44 anos, mãe de cinco filhos, um com síndrome de Down e outro prestes a partir em comissão de serviço no Iraque, Palin é fervorosa opositora do aborto e membro efectivo da National Rifle Association, o poderoso "lobby" das armas nos EUA.
Palin apoia também um maior aproveitamento das reservas naturais do Alasca, inclusivamente a construção de um oleoduto através do estado e a exploração petrolífera na Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Árctico, uma medida que McCain não apoia publicamente mas que tem sido defendida pelas bases republicanas como forma de combater a dependência energética do estrangeiro.
Agências

