A três dias de se decidir quem irá, muito provavelmente, disputar com Nicolas Sarkozy as presidenciais francesas de 2012, a ex-ministra e filha de Jacques Delors, Martine Aubry, passou à ofensiva no último debate das primárias socialistas contra o seu adversário François Hollande, que continua à frente nas sondagens.
Martine Aubry acusou François Hollande de mudanças de opinião e de usar um vocabulário de “direita”.
“Não gostei que tivesse usado termos de direita” a propósito dos planos de saúde e da redução do tempo de trabalho, disparou Martine Aubry aos microfones da RTL. “Isso são palavras da direita e fico incomodada sempre que um homem de esquerda utiliza palavras de direita”.
François Hollande, que permanece à frente das sondagens para a segunda volta de domingo, retorquiu afirmando à rádio Europe 1 que não pretende ficar agarrado a imagens “caricaturais” e que não tem a necessidade de “denegrir, desvalorizar nem denunciar”.
Instado a nomear a grande diferença entre si e Martine Aubry, Hollande respondeu: “Procuro sempre ter uma linha coerente, procuro fazer a união. Não faço nada que possa causar dano ou dividir o meu campo”.
De acordo com a AFP, Aubry e Hollande trocaram ontem palavras duras durante o debate, procurando deixar à mostra as diferenças de personalidade entre os dois.
Aubry insistiu na questão da experiência. Ela foi o “número dois” do governo de Lionel Jospin, entre 1997 e 2000, ao passo que o seu adversário nunca foi ministro.
“Temos confiança em mim porque eu sou clara. François Hollande mudou de posição em certos pontos”, atacou ainda Aubry, pedindo uma “esquerda forte”.
François Hollande - que se mantém nove pontos à frente de Aubry (39% e 30%, respectivamente) - respondeu que não quer uma “esquerda dura”. “Saímos de cinco anos de uma presidência brutal. Queremos uma candidatura sectária? Eu não o quero. Penso que o país precisa de ser pacificado”, disse.
François Hollande mantém-se, em boa medida, à frente das sondagens porque recebeu o apoio dos três candidatos eliminados na primeira volta das primárias: Ségolène Royal (que foi durante 30 anos cmpanheira de Hollande), o social-liberal Manuel Valls e Jean-Michel Baylet, de centro-esquerda.
Ambos os rivais - ela com 61 anos e ele com 57 - cresceram politicamente à sombra de Jacques Delors, o antigo presidente da Comissão Europeia que é pai de Martine Aubry, e ambos se apresentam como a melhor alternativa a Nicolas Sarkozy, provável candidato à sua própria sucessão em Abril-Maio de 2012 e que actualmente está muito em baixo nas sondagens.
Estas primárias “à americana”, aberta a todos os eleitores de esquerda e não apenas aos militantes do Partido Socialista, constitui uma inovação política em França.



