O ex-presidente da República Mário Soares disse hoje “estar longe de aceitar que o Tratado de Lisboa morreu”, um texto assinado em 2007 por todos os chefes de Estado europeus, mas rejeitado pelo povo irlandês.
“Estou longe de aceitar a ideia de que o tratado de Lisboa morreu”, disse Mário Soares à margem de um encontro com jornalistas para apresentar o programa do III Colóquio Internacional da Comissão da Liberdade Religiosa sobre “O Contributo das Religiões para a Paz”, a realizar em Lisboa segunda e terça-feira.
Para Mário Soares, a decisão do povo irlandês deve ser obviamente respeitada mas deixa mal o Governo da Irlanda, que assinou o Tratado de Lisboa e agora, com o “não” no referendo, vê-se desautorizado pelo seu eleitorado.
A rejeição do texto, no passado dia 12, pelos eleitores da Irlanda, o único dos 27 Estados-membros da UE que submeteu o tratado a referendo por imposição constitucional, reabriu o debate sobre a crise institucional da União Europeia (UE), que o texto se propunha resolver.
Para já está anulado o calendário para a entrada em vigor do Tratado Reformador da UE, inicialmente prevista para 1 de Janeiro próximo.
“Mau tratado”
Já no que se refere ao governo português, o ex-presidente da República considera que está a “bater-se e bem para salvar o Tratado de Lisboa”.
“Na altura própria toda a gente deu vivas ao Tratado. Até eu próprio, não por considerar que fosse bom, porque não o é. É um mau Tratado porque é confuso e complexo, mas é um passo para resolver a saída da paralisação da Europa e esse passo era essencial”, disse.
Questionado sobre o caminho a seguir perante a rejeição do texto pelos eleitores irlandeses, Mário Soares diz que há varias saídas possíveis, mas não quis adiantar pormenores.
“Não tenho de me estar a antecipar, porque isto já é uma matéria de discussão e sensível na Europa. Gostaria que fosse resolvido o mais rapidamente possível e que houvesse uma maneira de avançar com o Tratado de Lisboa”, disse.


