Líder dos populares foi eleito em Junho do ano passado

Mariano Rajoy sobrevive a outra crise no Partido Popular espanhol

04.11.2009 - 09:08 Por Nuno Ribeiro, em Madrid

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"Estou muito contente e muito satisfeito", disse o presidente dos populares à saída da reunião magna "Estou muito contente e muito satisfeito", disse o presidente dos populares à saída da reunião magna (Sergio Perez/Reuters)
O presidente do Partido Popular de Espanha, Mariano Rajoy, voltou a ser posto em causa e ultrapassou, ontem, uma nova crise.

Após três horas e meia de reunião do Comité Executivo dos conservadores, concitou o apoio dos barões regionais e avisou que "não acontecerá outra vez", referindo-se a episódios ocorridos em Madrid e em Valência que puseram directamente em causa a sua liderança.

"Estou muito contente e muito satisfeito", disse o presidente dos populares à saída da reunião magna. Foi com este encontro que Rajoy quis pôr termo a três semanas que degradaram a imagem dos conservadores e questionaram o seu líder.

Em Madrid, a luta pela indigitação do novo presidente da Caja Madrid - a quarta entidade financeira de Espanha e a segunda Caixa de Poupança do país - opôs a presidente da comunidade madrilena, Esperanza Aguirre, e o alcaide da cidade, Alberto Ruíz Gallardón. Nunca como agora o antagonismo de Aguirre e Gallardón foi tão duro. Finalmente, o nome proposto pelo alcaide e apoiado por Rajoy, o de Rodrigo Rato, antigo ministro das Finanças de José Maria Aznar e ex-director-geral do Fundo Monetário Internacional, foi o escolhido. Aguirre abdicou, contra-vontade, da candidatura de um seu colaborador, sem currículo notável na área das finanças.

Em Valência, depois de a direcção nacional do PP ter suspendido a militância de Ricardo Costa para o impedir de continuar no cargo de secretário-geral dos conservadores valencianos, só agora foi alterado o organigrama local do partido. A divulgação pela justiça das conversas de Costa com um dos mentores do caso de corrupção "Gurtel" surpreendeu a opinião pública. Ricardo Costa só agora foi substituído, após semanas de escândalo e contradições.

Estes dois episódios, relacionados com a disciplina interna do PP, marcaram nas últimas semanas a vida do principal partido da oposição. "Se possível, nos partidos deve haver um só líder, não vários", ironizou, com desdém, o antigo presidente Aznar.

Foi em Junho do ano passado, em Valência, que Mariano Rajoy foi eleito presidente dos populares, cargo que ocupava desde 2003 por indigitação de José Maria Aznar. Nestes seis anos de liderança, Rajoy perdeu duas eleições para o socialista Rodríguez Zapatero, mas teve êxitos. Em 2008, triunfou nas europeias e nas regionais galegas e contribuiu para o acordo com os socialistas que retirou a liderança do País Basco aos nacionalistas. Mais: nas últimas sondagens, o Partido Popular beneficia do desgaste de Zapatero, devido à crise económica, e tem uma vantagem de 3,3 por cento face aos socialistas.

Mas, internamente, Rajoy tem problemas. O líder é sempre questionado, fruto da sua personalidade pouco afirmativa, e de um complexo xadrez que reina nos conservadores. Numa mistura de neoconservadores, liberais e democratas-cristãos. Contudo, as guerrilhas internas não têm a ver com clivagens ideológicas mas com disputas entre grupos provocadas por uma insuficiente renovação. E, claro, pela ausência de poder.

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