Mari Alkatiri não fala "há dois dias" com o comandante da Polícia Nacional

26.05.2006 - 12:19 Por Lusa
O primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, disse hoje que "há dois dias" que não consegue contactar com o comandante da Polícia Nacional de Timor-Leste, Paulo Martins, afirmando desconhecer "de que lado é que ele está".
"Há dois dias tive o último contacto com ele. Tinha três formas de contacto com ele e todas foram cortadas, do lado do senhor Paulo Martins", disse, em declarações à Lusa.
"Não posso dizer de que lado é que ele está neste momento", afirmou.
Fonte governamental disse à Lusa que Paulo Martins foi visto a sair de Díli na tarde de terça-feira, depois de um encontro em que participaram também o Presidente da República, o primeiro-ministro e o presidente do Parlamento Nacional.
"Foi decidido nesse encontro que as F-FDTL iriam ser colocadas nas montanhas em redor de Díli e a polícia ficaria na zona urbana. O Paulo Martins não gostou e fez o contrário, saindo da capital para as montanhas", disse a mesmafonte.
"Saiu com homens e com armas", precisou.
Mari Alkatiri escusou-se a tecer comentários sobre o local ou a situação em que Paulo Martins actualmente se encontra, admitindo porém que o governo está a "reorganizar o comando da polícia".
O chefe do Governo explicou que os efectivos policiais timorenses vivem hoje "uma situação de trauma", depois dos confrontos de ontem que causaram a morte de pelo menos nove polícias e 27 outros feridos.
"Os agentes da polícia estão a reviver um trauma. Estamos a reorganizar o comando da polícia que foi muito afectado por isto para cooperar depois com a polícia internacional", disse, referindo que o contingente policial da Malásia está instalado na Academia da Polícia em Díli "para iniciar essa cooperação".
Questionado sobre a actuação do ministro do Interior, Rogério Lobato, o primeiro-ministro rejeitou "usar bodes expiatórios para os acontecimentos", explicando que tudo o que aconteceu será objecto de investigação. "Naturalmente que quando existe uma situação destas há sempre tentativa de arranjar bodes expiatórios. Houve um esforço de fazer isto comigo mas eu não gosto de fazer bodes expiatórios", afirmou.
"Depois de toda a situação teremos que analisar as causas fundamentais e assumir as responsabilidade. Eu acho que como ministro do Interior ele sabe que é responsável pela polícia", afirmou.
Alkatiri reiterou toda a sua confiança no comandante das F-FDTL, o brigadeiro-general Taur Matan Ruak: "Continuo a manter confiança total em Taur Matan Ruak".
Inquirido sobre o relacionamento entre ele próprio e o Presidente da República - em particular na sequência de noticias contraditórias sobre de quem era a responsabilidade pela segurança interna - o primeiro-ministro afirmou "não haver problema de parte a parte".
"Posso dizer até que o relacionamento é bom. Naturalmente que os mecanismos e os meios de contacto não são os mais eficazes, mas não creio que haja problemas de parte a parte", afirmou.
Sem nunca o referir por nome, o chefe do Governo teceu no entanto críticas ao chefe de gabinete do Presidente da República, Agio Pereira.
"Sei que o problema maior é que todos os chefes de gabinete deveriam ser como o meu, que não se pronunciam sobre assuntos políticos. Há chefes de gabinete que se acham vice-presidentes", disse.
O primeiro-ministro referiu que o Governo está agora empenhado em restaurar a ordem, enviando mensagens de "calma e confiança" à população e, ao mesmo tempo, combatendo rumores que continuam a circular.
"O mais recente era de que eu e o presidente do Parlamento Nacional iríamos ser detidos. Já tivemos que travar iniciativas da Fretilin nos distritos qu e queriam vir até Díli. A Fretilin pode em 48 horas mobilizar 100 ou 200 mil pessoas", afirmou.
No capítulo político, Mari Alkatiri reiterou que não se demite do cargo de primeiro-ministro, desafiando os seus críticos a apontarem motivos objectivos para criticar a sua governação.
"Desafio a quem quer que seja que coloque objectivamente essa questão da minha capacidade que seja de gerir o governo. Se isso for colocado terei também de dizer algumas verdades", afirmou.


