Manifestantes desafiam ameaça de “medidas duras” do Governo da Tailândia

12.04.2009 - 19:58 Por Dulce Furtado, com agências
Os milhares de manifestantes que tomaram de assalto as ruas da capital tailandesa, Banguecoque, não deram mostras de se sentirem intimidados pelos avisos do primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, de que tomará “medidas duras” caso os protestos não parem. À declaração do estado de emergência para a capital responderam com a invasão do Ministério do Interior e um ataque à bastonada de um carro oficial do Governo.
Pouco recuo se viu, de resto, dos “camisas vermelhas” – como são conhecidos os apoiantes do ex-chefe de Governo auto-exilado Thaksin Shinawatra – mesmo perante o aparato de militares armados na capital, dos carros blindados e alguns ocasionais tiros feitos para o ar. Não houve, de resto, nenhum registo de repressão directa contra os manifestantes, testemunhavam as agências noticiosas.
Os cerca de 40 mil manifestantes ergueram barricadas nas ruas, bloqueando-as com autocarros e chegaram mesmo a tomar controlo de um carro blindado. Ao longo de todo o dia mantiveram-se em frente ao edifício do Governo, em protesto contra Abhisit e clamando pelo regresso de Thaksin, afastado em 2006.
Gritavam “vitória”, depois de, na véspera, milhares de manifestantes anti-Governo terem causado enorme embaraço a Abhisit, com a invasão do local onde decorria a cimeira de líderes asiáticos, na estância turística de Pattaya, 150 quilómetros a sul de Banguecoque. Aquele encontro acabou por ser cancelado, e as autoridades tailandesas tiveram de retirar de helicóptero mais de metade dos participantes para uma base militar próxima.
Apelo ao golpe de Estado
Thaksin falara durante a noite com os líderes dos protestos, por telefone, instando-os a uma “revolução popular”. Este é “o momento de ouro”, disse, e afirmou estar pronto a regressar à Tailândia para liderar o povo “caso seja feito um golpe”.
O primeiro-ministro, por seu lado, deu ordem de prisão a um dos líderes dos protestos de Pattaya e instou os manifestantes a pararem os protestos. Deixou claro que – ao contrário do que acontecera no dia anterior – exerceria agora uma mão mais firme. “É necessário que o Governo adopte as medidas permitidas pelo estado de emergência, de forma a fazer o país regressar à paz”, avisou em declarações transmitidas pela televisão estatal. O estado de emergência proibe a reunião de mais do que cinco pessoas.
Cerca de 300 polícias antimotim permaneciam junto aos gabinetes do Governo, alvo dos protestos que se arrastam desde finais de Março e que se avolumaram depois de o primeiro-ministro declarar o estado de emergência. “Estão a tentar forçar-nos a uma guerra do povo. Vamos trazer mais gente para aqui porque a melhor maneira de nos defendermos é pelo número”, avisou o líder da Frente Unida pela Democracia e contra a Ditadura (UDD, pró-Thaksin).

