Mandado arquivar um inquérito ao presidente da Conferência Episcopal Alemã

22.07.2010 - 10:56 Por PÚBLICO
Os procuradores da cidade de Constança mandaram arquivar um inquérito às alegações de que o chefe da Igreja Católica na Alemanha teria ajudado um monge pedófilo.
A representação do Ministério Público naquela cidade do Sudoeste alemão afirmou ontem à noite num comunicado não haver provas de que o arcebispo de Friburgo, Robert Zollitsch, presidente da Conferência Episcopal, tivesse feito algo de errado.
Uma vítima anónima de abusos acusara o prelado, de 71 anos, de ter permitido que um sacerdote beneditino de Birnau, à beira do Lago Constança, tivesse continuado em funções apesar de haver sido considerado culpado de actos pedófilos.
“Uma vez que não vieram a público casos concretos de abusos ou nomes de vítimas referentes ao segundo período em que o sacerdote esteve em Birnau, de 1987 a 1982, não há motivo para incriminar o dr. Zollitsch”, afirmaram os magistrados.
O arcebispo não teria denunciado o monge que na década de 1960 fora acusado de abusar de pelo menos um menor e em 1987 autorizara mesmo o seu regresso ao trabalho, numa das paróquias de Birnau.
No entanto, a justiça não deu como provado que o prelado, que na altura era responsável pelo pessoal eclesiástico naquela área, tivesse actuado com pleno conhecimento de que o padre beneditino em questão pudesse cometer novos delitos.
Quando o caso veio a lume, no mês passado, a arquidiocese de Friburgo acusara o Ministério Público e os media de “sensacionalismo”, explicando que a mudança de funções do monge em causa não fora da responsabilidade de monsenhor Zollitch mas sim da Ordem Cisterciense, que segue a regra beneditina.
O arquivar deste processo deverá ser encarado com alívio pela Igreja Católica, que tem vindo a enfrentar uma série de acusações de abusos sexuais e físicos cometidos por alguns dos seus elementos, na Europa, nos Estados Unidos e noutras regiões.
O mês passado, durante uma missa na Basílica de São Pedro, o Papa Bento XVI pediu desculpas “a Deus e às pessoas envolvidas” nos casos de pedofilia.


