Os eleitores malteses votaram maioritariamente “sim” no referendo sobre a legalização do divórcio no único país da Europa onde era ainda interdito.
O primeiro-ministro Lawrence Gonzi, que se empenhou na campanha a favor do “não”, reconheceu perante os jornalistas a derrota na votação de sábado. “Não é o resultado que eu desejava, mas a vontade do povo deve ser respeitada”, afirmou, citado pela AFP. “O Parlamento dever elaborar uma lei para a introdução do divórcio”.
De acordo com o chefe do Governo, os eleitores concordaram com a possibilidade de se conseguir um divórcio depois de quatro anos de separação. “Um dia histórico”, comentou o “The Malta Independent Online”.
Mas a votação tem apenas um carácter consultivo e para que o divórcio seja legalizado é necessária a elaboração de uma lei específica.
Cerca de 95 por cento da população da ilha é católica. O campo do “não” tinha o apoio do Partido Nacionalista, de Gonzi, e da igreja, que apesar de não estar oficialmente envolvida na campanha escreveu uma carta aos paroquianos, refere a agência francesa.
A Comissão Eleitoral, que ainda não libertou os resultados finais, apontou para uma participação de 72 por cento, o valor habitual em legislativas.
O “Times of Malta” adiantava que houve vários episódios de pressão sobre os eleitores, para que votassem contra a legalização. As campanhas pró-divórcio tiveram eco no Facebook e no Twitter. O jornal diz também que alguns blogues usaram fotografias de pessoas mais velhas e freiras nas estações de voto com a legenda: “Está preparado para deixar o seu futuro nas mãos deles?”.
Actualmente, os malteses podem separar-se mas é muito difícil voltarem a casar, porque é necessário anular a primeira união, um processo que leva cerca de oito anos e que raramente é aceite pelos tribunais religiosos católicos, explica a AFP.
As duas únicas excepções à proibição são para os malteses que obtiveram o divórcio no estrangeiro e para os que se casaram com um estrangeiro.



