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Segundo declarações do deputado independente Leandro Isaac

Major Alfredo Reinado afirma que prefere morrer a render-se

27.02.2007 - 13:23 Por Lusa

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Alfredo Reinado é acusado de tentativa de revolução para derrubar o Estado e de posse de armas de guerra Alfredo Reinado é acusado de tentativa de revolução para derrubar o Estado e de posse de armas de guerra (DR)
O major timorense Alfredo Reinado está cercado e "disposto a morrer", mas "não se vai render" disse hoje à Lusa o deputado independente Leandro Isaac, que se encontra em Same, no interior sul de Timor-Leste.

"Estamos todos cercados, as mulheres e as crianças fugiram para o mato e o major Alfredo está a organizar a vigilância e defesa de Same, mas está disposto a morrer e não se vai render", disse Leandro Isaac, contactado telefonicamente a partir de Macau.

O deputado, que garante que Alfredo Reinado "tem o apoio do povo de Same", reforçou a ideia da determinação de luta do major rebelde, sublinhando que "rendição é uma palavra que não existe no vocabulário de Alfredo Reinado".

"Render-se nunca!", afirmou, ao salientar que Alfredo Reinado "tem um compromisso com o povo de Timor-Leste e que não vai pedir clemência a ninguém a bem da soberania do país".

Leandro Isaac explicou também que a situação em Same "é calma" mas todos "estão preparados para não dormir" para estarem preparados para um eventual ataque das forças australianas que cercaram a cidade.

Sobre a actuação das forças australianas, Leandro Isaac disse estarem "a desrespeitar a Constituição timorense" porque, explicou, "não há nenhuma lei que permita a limitação de movimentos que está a ser imposta".

"Aquilo que os australianos estão a fazer é uma violação da nossa Constituição e não podemos aceitar uma coisa destas", disse, acrescentando que o "povo está preparado para tudo".

Xanana autorizou captura de Reinado

O cerco a Alfredo Reinado, que fugiu da cadeia de Becora, em Díli, no final de Agosto do ano passado, e se refugiou nas montanhas de Timor-leste, é o resultado das declarações do Presidente timorense, Xanana Gusmão, que autorizou uma operação para capturar o major rebelde.

A decisão do chefe de Estado timorense surgiu depois de o major e de o seu grupo de revoltosos terem assaltado três postos da Polícia de Fronteira, no sudoeste do país.

Alfredo Reinado é acusado de "tentativa de revolução para derrubar o Estado" e de posse de armas de guerra.

O advogado Luís Mendonça de Freitas, um dos defensores de Alfredo Reinado, contactado pela Lusa em Macau, considerou que a tentativa de captura do major pela força "é um erro" e "terá consequências imprevisíveis".

"Sou contra qualquer solução de força e o caminho para este caso é uma negociação com o major Alfredo Reinado", sustentou.

As declarações do advogado foram feitas antes de ser conhecido que o major Alfredo Reinado se encontra cercado em Same por tropas australianas das Forças de Estabilização Internacionais.

Mendonça de Freitas, radicado em Macau e também um dos advogados do ex-ministro timorense Rogério Lobato, considera que "a única via para a solução do caso é o diálogo e a tentativa de convencimento de Alfredo Reinado das vantagens de se apresentar e de colaborar com a Justiça".

"Ou o caso de resolve pela via da negociação ou então a alternativa é errível e imprevisível", alertou o advogado, que garante não ter falado com o major nas últimas semanas.

O advogado sublinhou ainda que qualquer tentativa de força lançada pelas autoridades "não vai ajudar a Justiça de Timor-Leste nem à clarificação dos problemas, inclusive os problemas políticos do país".

Ramos-Horta pede ajuda à Indonésia para capturar major Reinado

O diário indonésio "Jakarta Post" revela hoje que o primeiro-ministro de Timor-Leste, José Ramos-Horta, pediu ao Presidente da Indonésia para ajudar na capturar do major Alfredo Reinado e dos seus homens.

Segundo aquele diário, Ramos-Horta pediu também a Susilo Bambang Yudhoyono que, no caso de o major ser capturado em território indonésio, seja entregue às autoridades timorenses.

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