Reportagem

Mais israelitas votam hoje do que nas anteriores eleições

10.02.2009 - 13:48

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Até às 14h00 já tinham votado 34 por cento dos israelitas Até às 14h00 já tinham votado 34 por cento dos israelitas (Ammar Awad/Reuters)
Reem está a sair da sua secção de voto com uma trouxa nos braços. “Tem dois meses”, diz, puxando um cobertor, até aparecer uma minúscula cabeça cor-de-rosa.
Às duas da tarde tinham votado 34 por cento dos israelitas, mais três por cento que nas anteriores eleições, em 2006. E aqui em Jerusalém, apesar de ter chovido de manhã cedo e de soprar um vento forte, Reem foi um dos que não deixou de vir, com o seu recém-nascido e o resto da família.

Mais à frente, a mulher leva duas crianças pela mão e outras duas saltitam à frente, com pequenas kipa na cabeça. Cinco filhos, uma grande família. “Cinco?”, ri-se Reem. “Não, temos nove. Os outros não vieram.” Nove filhos, uma enorme família.

São judeus religiosos, não ultra-ortodoxos daqueles de preto, mas religiosos com kipa (eles) e lenços enrolados na cabeça e saias compridas (elas).

E, de acordo com a lei internacional, são também colonos. Porque esta secção de voto fica numa escola secundária em Sheikh Jarrah, um dos principais bairros de Jerusalém Oriental, o lado palestiniano.

E é ao ouvir esta pergunta – porque vivem aqui? – que Reem deixa de sorrir, e começa a andar mais depressa atrás da mulher. “Porquê? Como porquê? Isto é o coração do judaísmo, é Jerusalém.” E não vale a pena perguntar-lhe por quem votou, ele já não responde.

Do lado de fora do portão, param carrinhas cheias de crianças nos lugares de trás, meninas de saias com folhos até aos pés e meninos com kipa e os pais vão desmontando carrinhos de bebé. É toda uma operação tirar do carro uma família de judeus religiosos.

Depois chega uma carrinha cheia de autocolantes do partido A Casa Judia, religiosos de direita (embora não os mais à direita de todos). Tem um sorridente homem ao volante, com uma kipa, e no banco de trás uma jovem mãe de turbante na cabeça, com o bebé metido na camisola.

É comum: os partidos vão buscar as pessoas a casa e levam-nas a votar, quando elas precisam.

A seguir aparecem estudantes judeus da Universidade Hebraica, que não fica longe. Avi e Shiran, morenos e sorridentes, não têm um problema de indecisão ao contrário de muitos israelitas (entre 15 e 30 por cento). “Vou votar por Bibi, claro!”, diz Avi. “Eu também, e ele vai ser o vencedor”, diz Shiran.

Porquê Bibi? Porque dos três líderes que podem ganhar – Bibi Netanyahu (Likud), Tzipi Livni (Kadima) e Ehud Barak (Trabalhistas) – ele é o mais à direita, e Avni e Shiran querem votar à direita.

O voto árabe

Os colonos e os estudantes da universidade são dois tipos de votantes comuns em Jerusalém Oriental. Nesta parte da cidade, a maioria da população é palestiniana, com cartão de identidade de Jerusalém. Votam para a câmara, mas não nas eleições nacionais, porque não são – nem querem ser – cidadãos israelitas.

Mas há uma outra fatia de eleitores, os árabes israelitas que vivem aqui. É uma das incógnitas destas eleições, para onde irá o voto árabe. São mais de um milhão de pessoas, e parte dos eleitores deverá boicotar o voto, sobretudo depois da guerra de Gaza. Os que votam poderão dividir-se entre o partido árabe de Ahmad Tibi e um partido misto como o Hadash, que é árabe mas tem o judeu comunista Dov Hanin.

E é exactamente o que se verifica com os próximos eleitores. Primeiro, um casal, ela de lenço na cabeça, ele de fato. “Votámos por Ahmad Tibi”, diz o marido, que tamém se chama Ahmad, tem 51 anos e trabalha em hotelaria. “É perigoso não votarmos. Se votarmos talvez tenhamos 15 deputados no Parlamento que possam fazer alguma coisa.”

Eles a sairem e quatro raparigas de cabelos ao vento a entrarem, jeans e saltos. São... árabes? “Sim, claro”, diz Rania que tem 20 anos e vai votar Hadash, como todas elas. “Porque somos uma minoria e o nosso voto pode ter efeitos, para podermos ter os mesmos direitos que os judeus e estarmos representados no parlamento.”

Propaganda à porta

Noutra parte da cidade, no bairro German Colony – casas antigas, árvores, burguesia cosmopolita e maioritariamente laica, centro-esquerda mas também conservadores –, há todo o tipo de propaganda partidária à porta da escola na rua principal, que está a funcionar como secção de voto.

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ORA, ORA...

10.02.2009 - 20h15 - Argon, Porto. Porra, pá! Vivi 8 anos na África do Sul e não percebi o teu ...

Emigrante

10.02.2009 23:52

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