Um general turco de quatro estrelas na reforma acusado por suspeitas de ter participado numa conspiração para derrubar o Governo afirmou que “a luta acaba de começar”, em resposta às detenções e acusações de altas patentes militares.
Dois ex-generais foram acusados e detidos ontem à noite – são as duas figuras mais importantes presas até agora na sequência da alegada conspiração de 2003. Horas depois, a polícia realizou segunda vaga de detenções de militares.
Até agora, 33 oficiais (e outros militares na reforma e no activo) foram presos. O Governo e as chefias do Exército já tiveram até uma cimeira de emergência.
“Quando Dogan soube que ia ser acusado disse ‘a luta acaba de começar’”, afirmou à agência Anatólia Celal Ulgen, advogado de Celtin Dogan, ex-comandante do Primeiro Exército turco, posição que é muitas vezes ocupada por oficiais que chegam a chefiar as Forças Armadas.
Segundo Ulgen, não há provas concretas contra o seu cliente. O outro oficial de alta patente acusado foi o tenente-general Engin Alan, ex-comandante das forças especiais que liderou a operação que permitiu capturar o líder dos separatistas curdos Abdullah Ocalan e trazê-lo de regresso à Turquia, em 1999.
O Presidente, Abdullah Gül, afirmou-se hoje convencido de que o seu país vai ultrapassar a crise provocada põe este conflito entre o Governo e a hierarquia miilitar.
Os militares são suspeitos de terem elaborado um plano para provocar o caos e justificar assim o derrube do Governo do AKP, o partido pós-islamista no poder, que os movimentos mais seculares do país acusam de ter uma agenda escondida para islamizar o país. O Exército turco, que se considera o garante da laicidade no país, já derrubou ou provocou a queda de quatro governos nos últimos 50 anos.



