Mais de 160 pessoas foram mortas quando combatentes tribais fortemente armados atacaram ontem de madrugada um grupo rival, no Sul do Sudão, na mais recente de uma série de sangrentos conflitos étnicos, anunciou hoje um representante das Nações Unidas na cidade de Juba.
A maior parte das vítimas eram mulheres e crianças, vítimas de homens da tribo murle, que atacaram um acampamento na área de Akobo, no pantanoso estado de Jonglei, onde se explora petróleo.
Uma centena de mulheres e crianças, 50 homens e 11 soldados do Exército de Libertação Popular do Sul do Sudão estão a ser enterrados à beira do rio, explicou hoje o comissário da região de Akobo, Goi Jooyul Yol.
"Poderá haver ainda corpos no mato. Não sabemos ainda o balanço total", declarou Yol à Reuters, pelo telefone.
Uma pequena força de soldados do Sul do Sudão que se encontrava estacionada na área para proteger o acampamento foi dominada pelos atacantes.
A maior parte das vítimas pertencia ao grupo lou nuer, cuja guerra tribal com os murle já fez este ano mais de 700 mortos, em ataques e contra-ataques.
Os analistas citados pela Reuters dizem que o grande número de mulheres e crianças chacinadas parece marcar um novo desenvolvimento na violência dos últimos meses.
O presidente regional do Sul do Sudão, Salva Kiir, tem vindo a atribuir as culpas da violência a agitadores políticos que pretenderiam demonstrar que a parte meridional do país não se aguentaria por si só, se acaso no referendo marcado para 2011 decidisse separar-se do Norte.



