O multimilionário financeiro Bernard Madoff, a cumprir uma pena de 150 anos por fraude, foi brutalmente espancado por um outro detido, em Dezembro passado, de acordo com testemunhos obtidos pelo The Wall Street Journal junto de actuais e antigos prisioneiros da mesma prisão federal na Carolina do Norte.
Logo após o ataque, o antigo presidente da bolsa de Nasdaq foi transferido para um centro médico prisional, onde recebeu tratamento, a 18 de Dezembro, com os registos oficiais a referirem que apresentava "tonturas e hipertensão". As autoridades negaram então que o multimilionário - detido nº 61727-054 - tivesse sido espancado.
Mas outros detidos na prisão de Butner garantem que o financeiro levou uma tareia de um outro prisioneiro - descrito como um "corpulento" culturista e cinturão negro de judo -, por Madoff lhe dever dinheiro.
Segundo estas testemunhas, Madoff, de 71 anos e há oito meses na prisão, foi encontrado caído no chão por um guarda, com o nariz e costelas partidas e cortes na cabeça e cara. A mãe do suposto agressor, a cumprir pena por tráfico de droga, disse não ter conhecimento de qualquer desentendimento entre o filho e Madoff.
Foi na altura aberta uma investigação e Madoff ouvido, sem que nada corroborasse os rumores de espancamento, explicou ao diário norte-americano a porta-voz do Sistema Prisional, Traci Billingsley: "[Madoff] disse-nos em Dezembro que não fora agredido e o inquérito validou essas declarações. Nem um só detido referiu que ele tinha sido espancado".
Peritos sobre os sistemas prisionais e activistas dos direitos dos detidos sublinharam ao WSJ que "não é raro" que os presos neguem agressões sofridas nas prisões, com medo de represálias ou de ganharem a reputação de serem delatores.
Billingsley mantém que o cenário do espancamento é "virtualmente impossível", argumentando que o suposto agressor está detido num edifício diferente do de Madoff, e sublinhou que todas as instalações são fechadas ao anoitecer.
Nenhum dos três prisioneiros e ex-prisioneiros que atestam ao WSJ a veracidade da agressão avançou, porém, em que altura do dia ou local da prisão Madoff terá sido espancado. Os regulamentos de Butner mencionam que é possível haver comunicação entre prisioneiros de vários edifícios do complexo durante o dia, caso lhes seja concedido um salvo-conduto, além de que podem sair das alas a que estão adstritos para as refeições.
O advogado de Madoff - cuja fraude financeira, a maior na história do país, lesou em 65 mil milhões de dólares milhares de investidores - adiantou nessa altura que o seu cliente fora assistido clinicamente por ter apresentado "pressão arterial alta e palpitações cardíacas". Questionado agora sobre os novos relatos, Ira Sorkin não foi além de recusar comentar: "Não falo sobre as condições prisionais [de Madoff] nem sobre a sua família. Sempre foi essa a minha política", disse ao WSJ.



