Madagáscar: mais de 20 opositores mortos pela polícia durante manifestação

07.02.2009 - 15:23 Por PÚBLICO, Agências
Mais de duas dezenas de pessoas foram mortas durante uma manifestação da oposição, esta manhã, em Antananarivo, a capital de Madagáscar. Os manifestantes tentavam aproximar-se do palácio do Presidente, Marc Ravalomanana, quando foram recebidos a tiro pela polícia.
Desde o final de Janeiro que a capital malgaxe é palco de protestos, na sequência de um braço de ferro entre Ravalomanana e o presidente do município de Antananarivo, Andry Rajoelina, que tem liderado uma vaga de descontentamento contra o Governo.
Estima-se que perto de uma centena pessoas tenham perdido a vida desde o início dos confrontos que subiram de tom já esta terça-feira, quando o Presidente decidiu demitir Rajoelina, depois de este ter declarado publicamente que assumira o poder no país.
Esta manhã, um grupo de manifestantes decidiu marchar em direcção ao palácio presidencial, depois de quase uma hora de impasse frente aos agentes da polícia anti-motim mobilizados para o local, relata a AFP. Perante o avanço, um primeiro cordão policial recuou, mas um segundo dispositivo, situado junto à residência, atirou contra os manifestantes. Um fotógrafo da agência de notícias francesa disse ter visto pelo menos cinco pessoas mortas, mas as notícias posteriores revelaram que o balanço foi bastante superior.
Um comandante da polícia, que falou à Reuters sob condição de anonimato, contou que 25 pessoas foram mortas no local, e que dezenas de feridos foram transportados para o principal hospital da cidade. Por seu lado, os bombeiros sapadores disseram à AFP ter levado para o hospital universitário "23 mortos e 83 feridos". "Não sei o que aconteceu nos outros hospitais", disse Jaona Andrianaivo, chefe da corporação, em declarações à AFP.
Em declarações à Rádio Viva, de que é proprietário, Rajoelina acusou o Governo de ter executado estes civis: “Estas pessoas não estavam armadas, tinham com elas apenas a sua coragem”.
Pouco antes do desfile, o antigo autarca compareceu perante 20 mil apoiantes, reunidos numa praça da capital, para assumir a liderança de uma “alta autoridade de transição”, por ele criada para substituir Ravalomanana e anunciou ter nomeado um novo primeiro-ministro, a quem competiria a formação de um Governo de unidade nacional. A concentração decorreu sem incidentes, mas a AFP conta que Rajoelina instou os seus apoiantes a deslocarem-se para o palácio presidencial, para aí instalarem o primeiro-ministro que acabara de “nomear”.
Madagáscar tornou-se nos últimos anos um popular destino para turistas e empresas estrangeiras interessadas na exploração das riquezadas minerais da quarta maior ilha do mundo, situada no Índico, ao largo de Moçambique.
Notícia actualizada às 16h20


