Líderes invocam exemplo do muro como inspiração para novos desafios

09.11.2009 - 21:35 Por Maria João Guimarães
Um a um, os líderes convidados para assinalar os 20 anos da queda do muro de Berlim evocaram o passado para falar do futuro.
Um a um, pararam em frente à Porta de Brandemburgo, numa ordem previsível, até que Hillary Clinton anunciou a surpresa: e o Presidente norte-americano, Barack Obama, surgiu no écrã gigante para lembrar que “o trabalho de conquistar a liberdade nunca está terminado”.
“Este aniversário faz-nos lembrar que o destino humano é o que fizermos dele”, disse Obama, dando o exemplo de dois líderes actuais: a chanceler alemã Angela Merkel, uma mulher do antigo Leste, e ele próprio, um homem de ascendência africana.
Os outros líderes que falaram hoje em Berlim também aproveitaram o exemplo da determinação que levou à queda do muro como inspiração para outras lutas, das alterações climáticas à pobreza em África.
O primeiro a falar foi Nicolas Sarkozy. O Presidente francês lembrou os confrontos entre alemães e franceses e disse: “A queda do muro serve hoje como um pedido para lutar conta a opressão e para deitar abaixo os muros que ainda separam o mundo.”
Seguiu-se um conciliatório Presidente russo, Dmitiri Medvedev: “O confronto está no passado. Hoje queremos construir um mundo diferente, novo”. Mas, acrescentou, “é muito importante que este mundo seja multipolar”.
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, alargou o leque: “Deixem-me agradecer-vos, povo de Berlim, por mostrarem que num mundo com a África em pobreza, o Darfur em agonia, o Zimbabwe em lágrimas e a Birmânia acorrentada, os indivíduos não têm de sofrer para sempre sem esperança.” Brown sublinhou ainda a importância da unidade europeia e garantiu que a Grã-Bretanha se vai manter “no coração da Europa”.
A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, evocou a importância de outros países para a queda do muro – falou em Gdansk, falou em Praga – e também disse que este aniversário deve ser uma inspiração: “Temos de trabalhar juntos para fazer avançar a liberdade para além das suas actuais fronteiras, para que as pessoas em todo o lado possam ter a liberdade de viver os seus sonhos.”
Finalmente, a chanceler alemã, Angela Merkel, lembrou “um dos momentos mais felizes” da sua vida. Mas olhou para a frente: “A nossa sorte obriga-nos a enfrentar os desafios do nosso tempo. As questões de liberdade e segurança no mundo, o fortalecimento do crescimento e da justiça, a protecção do ambiente e a defesa dos direitos humanos em todo o mundo.”
Antes, num colóquio, Merkel tinha incitado os EUA a partilhar parte do seu poder para que o mundo seja mais multilateral. “Uma das questões mais palpitantes sobre os ‘muros que restam’ é: estão os Estados nacionais prontos a ceder competências às organizações multilaterais?”
A chanceler alemã acrescentou que esta cedência é mais fácil para os europeus, que já abdicaram de parte do seu poder a favor de Bruxelas. E, para “o nosso parceiro americano”, isso é mais difícil.



