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“Amigos da Líbia”

Líderes internacionais em cimeira com novos governantes líbios

01.09.2011 - 09:26 Por Dulce Furtado

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Os líderes da rebelião líbia que depôs o regime autocrático de Muammar Khadafi reúnem-se hoje com os chefes de Estado das potências mundiais, para desenhar o mapa de reconstrução do país, que estará a chegar aos derradeiros dias destes últimos seis meses e meio de guerra civil.

A cimeira – com uma agenda sobrelotada para umas apertadíssimas três horas de reunião e a presença de representantes de 60 países e organizações internacionais – tem como anfitriões, em Paris, o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, cujos países lideraram em representação da comunidade internacional, mandatada pela resolução 1973 das Nações Unidas, a intervenção militar contra o regime de Khadafi, antes de a NATO assumir o comando das operações.

À cabeça estão as questões de reconstrução política e económica da Líbia, com as potências mundiais norteadas pela ansiedade de não repetir os erros cometidos no Iraque, após a queda de Saddam Hussein. Mas, à margem da cimeira, outras conversações podem vir a revelar prontas tentativas de conquistar as oportunidades que as infra estruturas e a indústria petrolífera líbias oferecem aos mercados e investidores internacionais.

Esta primeira reunião dos “Amigos da Líbia” oferece ao mesmo tempo ao Conselho Nacional de Transição, órgão político da rebelião e governo de facto reconhecido pela generalidade da comunidade internacional, uma plataforma para se apresentar ao mundo.

A cimeira será aberta, aliás, esta tarde com um primeiro discurso do líder do CNT, Mustafá Abdel Jalil, traçando um mapa de acção para a Líbia, o qual passa por uma nova Constituição, eleições dentro de 18 meses e as medidas a tomar para evitar represálias entre as duas facções que travaram a guerra.

África do Sul boicota, Argélia dá passos de clarificação

Desagradada ainda com a intervenção militar internacional na Líbia (mandatada pela resolução 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas), a África do Sul decidiu boicotar a cimeira. “Não estamos satisfeitos com a forma como a resolução foi interpretada para levar a cabo os raides aéreos. Se houvesse medidas militares a tomar, teriam de ser para ajudar a proteger as populações que, segundo aquilo que nos chegou, tinham sido mortas”, sublinhou o Presidente sul-africano, Jacob Zuma, esta manhã.

“Mas em vez de proteger, foram os bombardeamentos [da NATO] que deram a cobertura aérea que permitiu ao outro grupo [os rebeldes] avançarem”, criticou ainda.

A resolução 1973 da ONU autorizou a execução de “todas as medidas necessárias para proteger os civis” na Líbia, com excepção do recurso a tropas terrestres, no seguimento da brutal repressão do regime de Khadafi contra as primeiras manifestações anti-regime que eclodiram em meados de Fevereiro passado.

Mais comedida, a Argélia – que está sob atento olhar da comunidade internacional depois de ter acolhido, há dias, membros do clã Khadafi – tentou hoje, à chegada à cimeira dos “Amigos da Líbia”, sair progressivamente da sua posição ambígua sobre este conflito. E ficou já, pela boca do ministro dos Negócios Estrangeiros, Mourad Medelci, a promessa de que o Governo de Argel está prestes a reconhecer legitimidade ao CNT e que não vai receber em seu território o líder líbio deposto.

Notícia actualizada às 11h50

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“Não estamos satisfeitos com a forma como a

... resolução foi interpretada para levar a cabo os raides aéreos. Se houvesse medidas militares a ...

Luis

01.09.2011 13:33

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