Vários países estão a apelar ao regime iraniano para que “se contenha”, nas palavras vindas de Moscovo, e “pare imediatamente de usar a força” contra os manifestantes, segundo o fraseado usado pela Noruega. Mas enquanto isto acontece, há notícia de várias detenções de líderes da oposição.
União Europeia, Rússia, Itália, Reino Unido, França, Alemanha, Canadá, Áustria., Noruega e Estados Unidos reagiram já à violência no Irão.
A presidência sueca da UE «condena o recurso à violência” contra os manifestantes, e diz-se “inquieta com as informações que dão conta de manifestações e de prisões arbitrárias em Teerão e noutras cidades do Irão, no decurso das recentes celebrações da ‘Ashura’”, o festival religioso xiita que teve no domingo o seu ponto mais alto.
Entre os mortos nos confrontos de domingo está Seyed Ali Mousavi, sobrinho do líder da oposição Mir-Hossein Mousavi, um dos candidatos moderados derrotados em Junho. As autoridades não libertaram o corpo – alegadamente, estão a fazer testes forenses para determinar a causa da morte, diz a agência noticiosa oficial Irna.
Mas, desta forma, estão a impedir que o funeral se realize o mais rapidamente possível, como exige a tradição muçulmana. A família de Mousavi tinha anunciado que o corpo tinha sido retirado do hospital sem a sua permissão.
Entre as pessoas hoje detidas hoje estarão vários assessores de Mousavi e do ex-Presidente Mohammad Khatami, diz o correspondente da BBC no Irão, John Leyne – que, impedido de trabalhar sem restrições no país, como o resto dos media ocidentais, está a recolher informações a partir de Londres.
Entre as pessoas presas hoje estará o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros Ebrahim Yazdi, agora líder do Movimento pela Liberdade do Irão, e o seu sobrinho Lily Tavasoli, avança a BBC. Três assessores de Mir-Hossein Mousavi terão também sido presos, e dois próximode Kathami. Mousavi Tebrizi, um religioso da cidade santa de Qom próximo de Mousavi, também terá sido detido, tal como o jornalista e activista pelos direitos humanos Emeddin Baghi.
As autoridades estão a tentar atribuir culpas pelos confrontos de domingo a “agitadores”, com o bloco da linha dura maioritário no Parlamento a apelar a que “as forças de segurança e a justiça lidem firmemente com aqueles que fazem pouco da ‘Ashura’.
Pelo menos oito pessoas foram mortas nos confrontos entre manifestantes e as forças de segurança, segundo o mais recente balanço feito pelas autoridades iranianas. No entanto, o número verdadeiro de vítimas permanece desconhecido.
O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, David Miliband, considerou “particularmente perturbante” a “falta de contenção” das forças da ordem iranianas durante a festa religiosa da “Ashura” e apelou ao Governo de Teerão para “respeitar os direitos do Homem e dos seus próprios cidadãos, direitos que o Irão se comprometeu a respeitar.”
De Paris veio a condenação das "prisões arbitrárias e da violência contra simples manifestantes que saíram à rua para defender o seu direito à liberdade de expressão e a sua aspiração à democracia”, diz um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, citado pela AFP, que apela a “uma solução política.”


