Líderes da África Austral anunciam acordo para formação de Governo no Zimbabwe que a oposição rejeita

27.01.2009 - 12:09 Por Ana Dias Cordeiro
Os líderes da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), reunidos numa cimeira extraordinária sobre o Zimbabwe, em Pretória, anunciaram às primeiras horas desta manhã um acordo para a formação de um Governo de unidade, a tomar posse no dia 13 de Fevereiro em Harare, entretanto rejeitado pela oposição.
O Presidente interino da África do Sul, Kgalema Motlanthe, em nome da SADC, garantiu a existência de um entendimento entre o Presidente Robert Mugabe e o líder do Movimento para a Democracia (MDC) Morgan Tsvangirai. E o secretário-executivo da organização, o moçambicano Tomaz Salomão, adiantou datas para a concretização do compromisso: tomada de posse do primeiro-ministro e vice-primeiros-ministros designados a 11 de Fevereiro e posse dos ministros dois dias depois.
Morgan Tsvangirai distanciou-se imediatamente do anúncio da SADC, sem dar pormenores, mas sugerindo que as suas exigências para a partilha do poder entre o MDC e a ZANU-PF do Presidente Robert Mugabe não foram atendidas.
“Muito claramente, as conclusões alcançadas (...) estão longe de corresponder às nossas expectativas”, afirmou Tsvangirai em comunicado, remetendo para o fim-de-semana uma posição mais formal do partido sobre a proposta resultante da cimeira da SADC.
Oposição venceu legislativas e quer pastas mais importantes
O líder da oposição, que venceu as legislativas de Março de 2008, tem recusado fazer parte de um Governo se não forem atribuídos ao seu partido alguns dos ministérios mais importantes, como a Defesa ou o Interior, embora aceitando que Robert Mugabe se mantenha na chefia do Estado.
Tsvangirai teve o melhor resultado na primeira volta das presidenciais, mas, perante a violência contra militantes e membros do seu partido, retirou-se da corrida. Mugabe concorreu sozinho na segunda volta em Junho do ano passado.
A crise agudiza-se desde então. À violência política que se mantém contra os opositores de Mugabe, junta-se o desmoronamento de sectores-chave do Estado, como o sistema de saúde, o que contribui para o descontrolo de uma epidemia de cólera que, noutras circunstâncias, poderia ser contida.
O mais recente balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta para quase três mil mortes, desde Agosto, mas a um ritmo que se acelera de dia para dia. Até hoje, a OMS contabilizou exactamente 2971 mortes – mais duzentas do que há apenas quatro dias.


