• O poker mudou-lhes a vida
  • Alqueva - Uma década depois, o sonho está por cumprir
  • Este "skater" foi para a Califórnia e já não volta

Relatório sobre abusos em Dublin descrito como “catálogo de actos maléficos”

Líderes católicos fecharam olhos a abusos de padres irlandeses

26.11.2009 - 21:33 Por João Manuel Rocha

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
O ministro da Justiça irlandês disse sentir “repugnância e cólera” O ministro da Justiça irlandês disse sentir “repugnância e cólera” (Cathal McNaughton/Reuters)
A hierarquia católica de Dublin fechou “obsessivamente” os olhos a abusos de padres sobre crianças, durante décadas, pelo menos até meados dos anos 1990, e praticou uma política de silêncio. A conclusão é de um relatório divulgad hoje, que acusa de encobrimento os arcebispos John Charles McQuaid, Dermot Ryan, Kevin McNamara e Desmond Connell, líderes da arquidiocese entre 1940 e 2004.

“Todos os arcebispos de Dublin no período abrangido pela comissão estavam conscientes das queixas. Isto é também verdade para muitos dos bispos auxiliares”, refere o relatório de uma comissão liderada pela juíza Yvonne Murphy, criada para avaliar não só a forma como a Igreja, mas também o Estado, lidaram com as denúncias de abusos de crianças.

A comissão considera a expressão norte-americana "don’t ask, don’t tell" (Não perguntes, não digas nada) como a mais adequada para descrever a atitude da hierarquia da arquidiocese. Os relatos das agências e da imprensa britânica indicam que os quatro arcebispos são acusados de “não terem dito à Gardai [polícia], que estavam ao corrente de abusos sexuais a crianças” cometidos a partir dos anos de 1960. A investigação incidiu no período entre 1975 e 2004, mas reuniu dados que não se limitam a essa fase.

“A preocupação do arcebispado de Dublin na gestão dos casos de abusos sexuais sobre as crianças, pelo menos até meados dos anos 1990, foi guardar segredo, evitar o escândalo, proteger a reputação da Igreja e preservar os seus bens”, sublinha o relatório, divulgados seis meses depois de os resultados de uma outra investigação, o relatório Ryan, ter horrorizado a Irlanda, ao revelar que desde 1930, e ao longo de 60 anos, mais de duas mil crianças sofreram violações em instituições dirigidas pela Igreja.

Dos líderes da arquidiocese acusados de encobrimento, só o cardeal Desmond Connell, antigo chefe da Igreja irlandesa e arcebispo de Dublin entre 1988 e 2004, que estava em funções quando os primeiros casos foram tornados públicos, nos anos 1990, está vivo. Depois de ter seguido a política dos antecessores e optar por inquéritos internos, Connell forneceu em 1995 o nome de 17 padres suspeitos às autoridades, mas opôs-se mais tarde, sem êxito, à entrega de arquivos eclesiásticos à Justiça, recordou a BBC.

A comissão Murphy – cujo relatório, de mais de 700 páginas, assenta numa amostra dos casos de 46 dos 102 padres que, segundo o jornal Irish Times, são visados por 320 queixas – não teve dúvidas em concluir que os abusos “foram dissimulados pelo arcebispado e as outras autoridades eclesiásticas”.

“Repugnância e cólera”

Mas o Estado também não sai bem na fotografia. “As autoridades facilitaram o encobrimento ao não cumprirem as suas responsabilidades” e “o bem-estar das crianças, que devia ter sido a primeira prioridade, não foi sequer, no início, um factor tomado em consideração”. “Infelizmente, pode ter sido o importante papel que a Igreja desempenhou na vida irlandesa a razão pela qual os abusos de uma minoria dos seus membros ficaram impunes”, refere também o relatório, que denuncia o facto de a polícia ter demorado 20 anos a apresentar acusações contra um sacerdote.

Consciente de que as autoridades não cumpriram o seu papel, o ministro da Justiça, Dermot Ahern, lamentou o facto. “Quaisquer que tenham sido as razões históricas e sociais, o Governo, em nome do Estado, pede desculpas, sem reservas ou equívocos, pelas falhas”, disse.

O ministro, que exprimiu sentimentos de “repugnância e cólera”, referiu-se à “ironia cruel de uma Igreja que, motivada em parte pelo desejo de evitar o escândalo, de facto criou um outro, de uma incrível amplitude”. E classificou o relatório como um “catálogo de actos maléficos cometidos em nome do que era considerado como o bem comum”.

Algumas situações relatadas pela comissão Murphy são de gravidade semelhante a outras do relatório Ryan. É o caso de “um padre que confessou ter molestado sexualmente mais de cem crianças” e de outro que reconheceu ter abusado de menores “uma vez todas as duas semanas, durante o seu ministério, que se prolongou por mais de 25 anos”.

Estatísticas

  • 3241 leitores
  • 79 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1411617

Comentário + votado

AQUI O INFERNO É MELHOR QUE O INFERNO AÍ NA TERRA

Aqui onde estou, no inferno, 99% dos meus conterrâneos infernenses eram o clero e ...

Jaquim no INFERNO

27.11.2009 11:24