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Funcionários diplomáticos iranianos deixaram o Reino Unido

Líder religioso iraniano avisa os europeus para não alinharem com Londres

02.12.2011 - 18:35 Por Ana Fonseca Pereira

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A embaixada iraniana em Londres foi encerrada nesta sexta-feira A embaixada iraniana em Londres foi encerrada nesta sexta-feira (Toby Melville/Reuters)
Um líder religioso da ala mais dura do regime iraniano avisou as Nações Unidas e os países europeus para não seguirem o exemplo do Reino Unido, que aprovou sanções sem precedentes contra o país e suspendeu as relações diplomáticas com Teerão depois de a sua embaixada ter sido atacada.

“Aconselhamos os europeus a não ligarem o seu destino ao do decadente Reino Unido, sob pena de verem o ódio da nossa nação derramar-se também sobre eles”, disse Ahmad Khatami, próximo do Supremo Líder iraniano, o ayatollah Ali Khamenei, durante as orações de sexta-feira na Universidade de Teerão.

Foi dali que centenas de pessoas partiram depois em direcção à principal praça da capital, numa nova manifestação contra as autoridades britânicas. Os jornalistas estrangeiros não foram autorizados a cobrir o protesto – a primeira vez que tal limitação é imposta a um acto favorável ao regime, notou a AFP –, mas segundo a imprensa iraniana voltaram a ser queimadas bandeiras britânicas. “Apoiamos a tomada do segundo refúgio dos espiões”, gritaram os manifestantes, numa referência à invasão, terça-feira, da missão britânica.

A diplomacia iraniana lamentou o incidente, mas Londres afirma que ele não teria sido possível sem o apoio tácito do regime, sobretudo da sua ala mais conservadora, apostada numa resposta dura à pressão do Ocidente para que o país suspenda as suas actividades nucleares. A invasão mereceu o repúdio do Conselho de Segurança, o que para Khatami, “significa que [a ONU] caiu no mesmo buraco que os decadentes britânicos”.

O aviso do representante de Khamenei surge um dia depois de a UE ter endurecido as sanções contra o Irão, apesar de ter adiado um eventual embargo ao petróleo, e de o Senado norte-americano ter aprovado uma lei que dá ao Presidente o poder de impor sanções a empresas estrangeiras que mantenham contactos com o Banco Central iraniano, o que dificultará as exportações de crude do país.

Todos os funcionários diplomáticos iranianos deixaram, entretanto, o Reino Unido, cumprindo a ordem de expulsão dada pelo Foreign Office – uma medida que, conjugada com a partida do pessoal da embaixada britânica em Teerão, equivale a um corte nas relações entre os dois países. Segundo a Reuters, quando chegarem nesta manhã a Teerão os diplomatas terão à sua espera uma “recepção digna de heróis” preparada pela milícia Bassij, controlada pelos Guardas da Revolução

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