Líder do maior partido da oposição timorense confiante que Xanana vai dissolver parlamento

25.06.2006 - 12:38 Por Lusa
O líder do maior partido da oposição timorense, o Partido Democrático (PD), Fernando Araújo, manifestou-se hoje convicto de que Xanana Gusmão irá respeitar os desejos do povo timorense, dissolvendo o Parlamento e demitindo o governo.
Fernando Araújo, um dos sete deputados do PD no Parlamento Nacional, reagia assim em declarações à Lusa à decisão de hoje do Comité Central da Fretilin que deliberou apelar a Xanana Gusmão e a Mari Alkatiri para que se mantenham em funções.
"O PR já ouviu a reacção do povo e da Igreja que pediram para que não se demita. Penso que Xanana Gusmão é homem de palavra e respeitará o desejo do povo", afirmou, contactado telefonicamente em Díli.
"Espero que amanhã manifestantes continuem a mostrar a sua vontade e que o PR se pronuncie sobre a demissão do primeiro-ministro e dissolução do Parlamento Nacional. Não espero, nem admito que Xanana Gusmão resigne ao cargo", sublinhou.
Fernando Araújo referiu que as manifestações a favor de Xanana Gusmão e contra o primeiro-ministro, Mari Alkatiri, deverão continuar amanhã, reiterando que a sociedade timorense quer a queda do governo.
"A população vai reagir amanhã e a direcção da manifestação vai entregar o poder legislativo e executivo ao presidente e pressionar o presidente para que só faça compromissos com o povo", disse.
Relativamente à reunião de hoje do Comité Central da Fretilin, o líder do PD afirmou que o apoio a Mari Alkatiri no seio do partido depende hoje de "pequenos grupos", nomeadamente "colaboradores" do próprio primeiro-ministro que "beneficiaram da sua governação".
"Mas alguns militantes da Fretilin já começaram a diferenciar Mari Alkatiri do partido. O CCF pode apoiar o Alkatiri mas ele não é apoiado pelos militantes. Os apoiantes do partido já perceberam quem ele é", afirmou.
Na resolução aprovada na reunião extraordinária do comité central, o partido propõe-se "iniciar contactos visando o diálogo com o Presidente da República".
Reagindo à decisão, o chefe de gabinete de Xanana Gusmão, Agio Pereira, disse à Lusa que a resposta da presidência "está na mensagem que o Presidente dirigiu ao país, sexta-feira passada".
Nessa mensagem o Presidente timorense exigia a demissão do primeiro-ministro, Mari Alkatiri, sob pena de ele próprio se demitir, caso o chefe do governo não assumisse as responsabilidades na crise política e militar em Timor-Leste.
Já hoje, dois membros do governo de Mari Alkatiri apresentaram a sua demissão, nomeadamente José Ramos Horta, ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, e Ovídio Amaral, ministro dos Transportes.
Este último disse à Lusa que apresentou a sua demissão por não concordar "com o facto da Fretilin não ter aceite a demissão de Alkatiri".
"Já morreram pessoas, há dezenas de milhares de timorenses deslocados nos campos de acolhimento e isto não pode continuar", disse o ministro demissionário, afirmando que "a única decisão acertada" era o partido ter aceite a demissão de Mari Alkatiri.

