O líder da oposição no Quénia, Raila Odinga, pediu hoje uma nova contagem dos votos nas eleições presidenciais realizadas na quinta-feira. Três dias depois do escrutínio, o país continua à espera da divulgação dos resultados, num ambiente marcado por acusações de fraude e violentos confrontos. Já morreram seis pessoas.
“O impasse só pode ser resolvido por uma nova contagem nacional em Nairobi”, em presença dos media e observadores, declarou em conferência de imprensa Odinga, do Movimento Democrático Laranja (ODM).
“Se perdermos justamente, aceitaremos os resultados. Os quenianos não estão dispostos a aceitar uma eleição fraudulenta (...). Não aceitarei uma vitória de Kibaki”, acrescentou Odinga.
Ontem, Musalia Mudavadi, candidato da ODM à vice-presidência, proclamou a vitória de Odinga e apelou ao Presidente Mwai Kibaki, candidato ao seu segundo mandato, a “respeitar a vontade do povo queniano”.
“Se eles (...) declararem Kibaki (vencedor), isso será a maior injustiça” e as consequências de uma tal declaração “serão muito graves”, acrescentou Odinga, lembrando o caso da crise na Costa do Marfim.
Ontem, quando estavam contados 7,5 milhões de boletins de voto dos 14,2 milhões de eleitores inscritos, os resultados parciais da Comissão Eleitoral davam 49,47 por cento para Odinga e 45,35 por cento para Kibaki. Ao final do dia de ontem, a distância que os separava era de apenas 38 mil votos.
A Comissão Eleitoral decidiu adiar para hoje o anúncio dos resultados, prometendo estudar as eventuais irregularidades na contagem dos resultados das 210 circunscrições do país.
Hoje, Ngari Gituku, porta-voz do Partido da Unidade Nacional (PNU) do Presidente Kibaki, apelou à oposição para deixar a Comissão Eleitoral acabar o seu trabalho e proclamar os resultados oficiais.
Três dias de uma calma precária
A polícia paramilitar foi enviada esta manhã para Nairobi e para as grandes cidades do país, um dia depois de confrontos e pilhagens terem descido à rua em vários bairros de Nairobi e na região Ocidental do país.
Os mais recentes resultados das eleições, favoráveis a Kibaki, e a lentidão do processo de contagem dos votos causaram a revolta dos simpatizantes de Odinga, que acusam os apoiantes do Presidente de fraude nas urnas de voto.
Em Kibera, o maior bairro de lata do país, nos arredores de Nairobi, a polícia disparou para o ar e lançou gás lacrimogéneo para dispersar milhares de jovens.
Na cidade de Eldoret, a polícia baleou mortalmente dois manifestantes ao tentar dispersar uma concentração de centenas de jovens que exigiam conhecer os resultados.
Em Kisumu, capital da província de Nyanza, manifestantes forçaram as portas de supermercados e lojas para os pilhar. Nesta província, um homem foi baleado numa urna de voto depois de confrontos.
Kibaki defende a continuidade da sua acção, baseada no crescimento económico médio de cinco por cento desde 2002. Odinga compromete-se a melhorar as condições de vida dos mais desfavorecidos.
O Quénia é considerado um pólo de estabilidade numa região marcada pela guerra na Somália e pelas tensões entre a Etiópia e a Eritreia.



