O líder dos liberais democratas moldavos, Vlad Filat, disse esta manhã que os votos das eleições legislativas de domingo não serão recontados, horas após a polícia ter retomado o controlo do Parlamento, ocupado desde ontem por manifestantes que exigiam a repetição do acto eleitoral ganho pelos comunistas.
Os violentos confrontos de ontem, que causaram a morte a uma mulher e pelo menos 30 feridos, terminaram com um acordo entre os principais partidos determinando que os votos das eleições legislativas de domingo, ganhas pelos comunistas, seriam recontadas.
Mas a quebra desse acordo, anunciada esta manhã pelo líder liberal democrata, poderá fazer com que o regresso à normalidade na capital moldava, Chisinau, seja efémero.
“Acabámos de ser informados que a Comissão Central Eleitoral rejeitou isto [a recontagem oficial dos votos]. Quebraram um acordo que tinha sido prometido com [o Presidente moldavo] Vladmir Voronin”, disse o líder dos liberais democratas, citado pela Reuters.
Vlad Filat acrescentou que esperava “uma repressão séria” após os protestos de terça-feira. “Não excluo a detenção de líderes políticos e de manifestantes.”
Nenhuma outra fonte confirmou a ruptura do acordo.
A oposição exigia a repetição das eleições e foi sob esta palavra de ordem que entre dez a 30 mil pessoas se manifestaram ontem nas ruas de Chisinau e ocuparam o Parlamento. A polícia recuperou o controlo do edifício durante a noite, após ter detido 193 pessoas, incluindo oito menores, disse um porta-voz do Ministério do Interior à Reuters.
O Presidente moldavo, o comunista pró-europeu Vladimir Voronin, classificou as manifestações como uma tentativa de golpe de Estado. As eleições legislativas foram consideradas conformes aos padrões internacionais pela Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OCDE) e o alto representante da União Europeia para a política externa, Javier Solana, instou ontem os manifestantes a não recorrerem à violência e pediu às autoridades que permitissem protestos pacíficos.
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