O director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Mohamed el-Baradei, anulou uma entrevista que tinha agendado com a BBC, em protesto contra a recusa daquela estação televisiva em difundir um apelo para a recolha de fundos a favor das vítimas da ofensiva israelita na Faixa de Gaza, indicou hoje esta agência das Nações Unidas.
El-Baradei, de nacionalidade egípcia, “anulou as entrevistas previstas com a rede mundial de televisão e rádio devido à recusa da direcção da BBC em divulgar um apelo humanitário”, declarou a sua porta-voz, Melissa Fleming.
Fleming acrescentou ainda que El-Baradei “considera que a decisão [da BBC] vai contra as mais elementares regras de decência humana, como a obrigação de ajudar pessoas vulneráveis independentemente de quem elas são”.
A estação pública britânica, que tinha agendado uma entrevista com director da AIEA à margem do Fórum Económico de Davos, na Suíça, “lamenta” a decisão do responsável da agência da ONU.
“A nossa audiência em todo o mundo interessa-se pelo ponto de vista Mohamed el-Baradei sobre uma série de matérias. Esperamos que aceite dar-nos uma entrevista numa próxima vez”, afirmou a porta-voz do canal à AFP, em Londres.
A BBC, seguida pela concorrente Sky News, suscitou uma viva polémica ao recusar difundir um apelo humanitário lançado pelo Comité de Urgência para as Catástrofes, uma organização que agrupa uma dúzia de ONGs, entre as quais a Cruz Vermelha britânica.
Acusada por grupos pró-palestinianos de ter feito uma cobertura do conflito favorável a Israel, a BBC justificou a decisão invocando a sua “imparcialidade”.
Ao contrário da BBC e da Sky News os três outros canais de televisão britânicos - a ITV, Channel 4 e Five - aceitaram difundir o apelo.
A recusa foi fortemente criticada no Reino Unido. Arcebispos da Igreja Anglicana, ministros, oposição, espectadores e juristas pediram à estação que reconsiderasse a sua decisão, mas esta manteve a recusa.
Mohamed el-Baradei, que recebeu o prémio Nobel da Paz em 2005 pelo seu trabalho à frente da AIEA, deve deixar as suas funções em Novembro, após três mandatos à frente da agência de controlo nuclear das Nações Unidas.


