Aviação israelita faz mais de 50 mortos em Qana

Líbano rejeita conversações até ser conseguido um cessar-fogo

30.07.2006 - 09:33 Por AFP, Reuters, AP

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Um trabalhador das equipas de resgate chora sobre o corpo de uma criança morta no bombardeamento Um trabalhador das equipas de resgate chora sobre o corpo de uma criança morta no bombardeamento (Nasser Nasser/AP)
No mesmo dia em que a aviação israelita atingiu um prédio de três andares em Qana, no Líbano, fazendo pelo menos 51 mortos, entre os quais 22 crianças, o primeiro-ministro libanês recusou-se a participar em quaisquer negociações até que seja alcançado um cessar-fogo com Israel. Tudo indica que a visita de Condoleezza Rice a Beirute terá sido adiada.

A declaração do primeiro-ministro libanês surge no mesmo dia em que a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, era esperada ao fim do dia em Beirute, vinda de Israel, para discutir um pacote de paz para a região.

Mas esta manhã, no âmbito da continuação dos confrontos no terreno, a aviação israelita, que tem estado a fustigar Qana, atingiu um edifício de três andares que viria a colapsar devido aos danos sofridos. No seu interior e redor, pelo menos 51 pessoas morreram, segundo números da Defesa libanesa, sendo que a Cruz Vermelha internacional indica que há 55 vítimas mortais nos escombros. Os ataques vieram quando os residentes dormiam no interior dos edifícios.

O edifício abrigava, além dos moradores, algumas famílias que fugiram de outras localidades da região de Tiro, a 83 quilómetros a Sul de Beirute, onde há vários dias os bombardeamentos não páram, segundo a polícia local. Pelo menos 13 mortos, dos quais cinco mulheres, seis crianças e dois homens já foram retirados dos escombros que serviam de abrigo, adiantou a mesma fonte.

A AFP, no local, constatou que os raides israelitas destruíram vários edifícios em Qana.

Contudo, Israel rejeitou hoje qualquer responsabilidade no sucedido na cidade, atribuindo culpas ao movimento xiita Hezbollah.

Um porta-voz do exército israelita acusa o Partido de Deus de utilizar esta aldeia do sul do Líbano como base de bombardeamentos contra Israel.

"O Hezbollah utiliza a aldeia de Canaã como base para disparar foguetes. A ele cabe a responsabilidade de a região se ter tornado uma zona de combates", declarou o capitão Jacob Dalal.

"Em Qana, atacámos sítios de onde são disparados foguetes contra Nahariya e a zona ocidental da Galileia", acrescentou o porta-voz militar israelita. Jacob Dalal garantiu que o exército israelita avisou os habitantes "há vários dias" de que deviam deixar a zona e que a maioria dessas pessoas o fez.

"Israel não tem qualquer intenção de golpear civis inocentes e a responsabilidade cabe inteiramente ao Hezbollah", rematou.

O ministro da Defesa libanês negou esta manhã que os islamistas do Hezbollah utilizem Qana como base para lançamento de "rockets".

Em 18 de Abril de 1996, um total de 105 civis libaneses foram mortos em Qana por um bombardeamento israelita contra o Hezbollah durante a operação "Vinhas da Ira" lançada por Israel contra a milícia libanesa. A condenação internacional de tal acto foi unânime e Israel foi forçado a abreviar a operação.

Visita de Rice cancelada após finca-pé de Fuad Saniora

Fuad Saniora, o chefe do Executivo libanês, disse hoje aos jornalistas que o Líbano só estará aberto a mais conversações se elas tratarem de um cessar-fogo "imediato e incondicional", rejeitando ao que tudo indica o pacote de paz trazido pela secretária de Estado dos EUA.

A hipótese de um cessar-fogo humanitário foi rejeitada por Israel e a possibilidade de um cessar-fogo para resolução do conflito foi também afastada pelo primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, que disse ontem a Rice que Israel terá de completar os objectivos que o guiam no Sul do Líbano.

Responsáveis libaneses estão a dizer às agências noticiosas que Condoleezza Rice recebeu já a notícia de que já não é bem-vinda ao Líbano. A viagem da secretária de Estado norte-americana terá sido cancelada na sequência das condições impostas pelo primeiro-ministro libanês.

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Começo

Só agora se torna clara a utilidade da presença síria no Líbano e que nos foi escondida pelos ...

Anónimo

30.07.2006 16:22

X

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