Líbano: Israel usou míssil teleguiado de precisão no ataque contra posto da ONU

29.09.2006 - 18:34 Por AFP, PUBLICO.PT
A aviação israelita usou um míssil teleguiado de elevada precisão no ataque que destruiu um posto da missão de paz das Nações Unidas no Sul do Líbano, conclui a comissão de inquérito ao incidente, que provocou a morte a quatro “capacete azuis”.
O posto de observação de Kiam “foi atacado e destruído por um míssil de 500 quilos, teleguiado e de elevada precisão, às 19h25 do dia 25 de Julho”, lê-se num comunicado emitido pela ONU.
A nota, que cita as conclusões do inquérito, adianta que os investigadores não tiveram acesso às ordens dadas a nível operacional e táctico pelos comandantes israelitas, pelo “que não foi possível determinar por que é que os ataques contra aquela posição não foram suspensos, apesar das inúmeras iniciativas da ONU junto das autoridades israelitas".
No entanto, os peritos adiantam que Israel "reconheceu a sua total responsabilidade nos acontecimentos e apresentou desculpas à ONU pelo que classificou como um ‘erro cometido a nível operacional’”, acrescenta o comunicado.
Quanto a uma eventual falha das Nações Unidas na protecção do seu pessoal, a comissão de inquérito concluiu que “todos os procedimentos habituais foram seguidos e a existência de mais pessoal [na zona] não teria alterado o sucedido”.
Em declarações à AFP, um porta-voz da ONU adiantou que o relatório não vai ser divulgado, como é habitual em situações semelhantes.
A morte dos quatro “capacetes azuis” – um canadiano, um finlandês, um austríaco e um chinês – levou o secretário-geral, Kofi Annan, a acusar Israel de ter “visado deliberadamente” o posto da ONU.
Annan sublinhou que o posto de Kiam foi atacado mesmo depois de vários comandantes da missão e de responsáveis da ONU terem alertado as autoridades israelitas de que as bombas estavam a cair, há várias horas, nas imediações do local.
Telavive recusou as acusações, afirmando que o local estava a ser usado por guerrilheiros do Hezbollah, que teriam usado os militares da ONU como escudos humanos.

