São as primeiras legislativas desde a independência do Kosovo, em 2008, mas, mais do que um marco histórico, as eleições de hoje são um teste à maturidade política do novo Estado, um dos mais pobres da Europa.
Com uma taxa de desemprego acima dos 45 por cento e mais de metade dos dois milhões de habitantes a viver abaixo do limiar da pobreza, a euforia que se seguiu à independência deu lugar a um desânimo, sobretudo entre os mais jovens. "A independência está a afundar-se", disse ao Financial Times o analista Veton Surroi, prevendo que o descontentamento que os kosovares de etnia albanesa calaram durante anos, por receio de prejudicar a causa nacionalista, fale agora mais alto.
O mais prejudicado é Hashim Thaçi, homem forte do Kosovo na última década e primeiro-ministro desde 2007, acusado de nada fazer para barrar a corrupção ou atrair o investimento estrangeiro. As últimas sondagens atribuem ao seu Partido Democrático do Kosovo (PDK) 30 por cento das intenções de voto, a apenas dois pontos da Liga Democrática do Kosovo (LDK) de Isa Mustafa.
O popular presidente da Câmarade Pristina espera canalizar o descontentamento popular em seu favor - já garantiu que não renovará a coligação que até Setembro unia os dois partidos -, mas os analistas sublinham que Thaçi conta com um eleitorado fiel, devendo beneficiar com a elevada taxa de abstenção prevista.
Mas os resultados dependerão também da atitude da minoria sérvia - no Norte deverá manter-se o boicote, ao contrário dos enclaves no resto do país - e sobretudo das escolhas dos mais jovens, atraídos pelo Movimento de Autodeterminação do ex-líder estudantil Albin Kurti, a quem as sondagens atribuem o terceiro lugar, com quase 20 por cento das preferências.
As eleições serão seguidas com atenção fora do país, numa altura em que a NATO pondera o fim da sua presença militar e se espera o início de um diálogo crucial com a Sérvia, que rejeita a independência da antiga província mas aceitou discutir com Pristina assuntos de interesse mútuo.



