As segundas eleições nacionais no Iraque depois do derrube de Saddam Hussain foram hoje marcadas para 21 de Janeiro, horas depois de o Parlamento ter conseguido pôr fim ao impasse que se arrastava há semanas sobre a nova lei eleitoral.
O escrutínio segue-se a anos de confrontos interétnicos e religiosos que mergulharam o país no caos e deverá ser o último à sombra do Exército norte-americano. Todas as tropas de combate dos Estados Unidos devem deixar o país até Agosto do próximo ano - e Washington não quer mudar este calendário em nenhum cenário.
Os deputados, intensamente pressionados pelos norte-americanos e pelos responsáveis da missão da ONU em Bagdad, chegaram a acordo sobre a lei numa sessão nocturna, um esforço final para ultrapassar divergências. A principal era a batalha política sobre Kirkuk, a província do Norte rica em petróleo e disputada por curdos, árabes e turcomanos.
O compromisso satisfez os três grupos e foi descrito pelos iraquianos e americanos como “um triunfo da democracia” emergente e uma demonstração da capacidade do Parlamento para resolver disputas sectárias em nome das necessidades nacionais.
Dezenas de milhares de curdos foram expulsos da região por Saddam, na sua política de arabização. Nos últimos anos, os curdos regressaram. Agora, estes queriam usar os registos eleitorais de 2009, que reflectem esta mudança demográfica recente, enquanto os árabes e turcomanos queriam usar as listas de 2004. O compromisso prevê que sejam usadas as listas mais recentes, como no resto do país, mas um comité vai depois avaliar se houve um aumento anormal no registo de eleitores.
A aprovação da lei foi saudada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que afirmou que a eleição de Janeiro vai contribuir para o “progresso político do Iraque”. O Presidente americano, Barack Obama, falou numa “etapa importante na tomada em mãos do seus destino por parte dos iraquianos”.
Ao contrário do que aconteceu nas últimas eleições, muito marcadas por clivagens entre as três principais comunidades étnicas e religiosas, os analistas esperam que a próxima Assembleia Nacional se dividia mais entre políticos religiosos e laicos. Já há coligações a unir árabes sunitas e xiitas seculares, por exemplo.
Para além disso, os eleitores vão poder votar em candidatos individuais, como parte de uma “lista aberta”, em vez de votarem numa lista que sabem corresponder a um partido. Isso deverá diminuir o peso das principais formações políticas da maioria xiita, de natureza religiosa.


