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Autoridades libertam manifestantes detidos sexta-feira

Kumba Ialá reafirma ter vencido primeira volta das presidenciais guineenses

26.06.2005 - 18:06 Por Reuters, PUBLICO.PT

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Apenas Artur Sanhá, secretário-geral do PRS continua internado Apenas Artur Sanhá, secretário-geral do PRS continua internado (Antonio Aly Silva/Lusa)
Kumba Ialá, afastado da segunda volta das presidenciais guineenses, reafirmou hoje ter sido o vencedor do escrutínio do passado domingo, acusando a Comissão Eleitoral Nacional de ter falseado os resultados.

“Ganhei com 38,87 por cento dos votos. A comissão eleitoral falseou os resultados”, afirmou Ialá, citado pela Reuters, depois de um encontro com o Presidente senegalês, Abdoulaye Wade, em Dacar.

Contudo, uma fonte da presidência senegalesa, citada pela AFP, garante que o candidato apoiado pelo Partido da Renovação Social (PRS) se mostrou disponível para aceitar o afastamento da corrida eleitoral "se os resultados oficiais estiverem de acordo com a realidade".

Estas declarações deixam a entender que Kumba Ialá espera que outra entidade se pronuncie sobre a primeira volta, aguardando talvez o acórdão do Supremo Tribunal, que terá em breve de confirmar os resultados oficiais anunciados ontem pela comissão eleitoral e agendar em definitivo a segunda volta das presidenciais.

Abdoulaye Wade, mandatado pela União Africana, realizou hoje encontros bilaterais com os três candidatos mais votados na primeira volta das presidenciais guineenses, noticia a TSF, citando fontes da campanha de Nino Vieira.

Segundo a mesma fonte, as reuniões destinam-se a garantir a paz no país, depois da manifestação de sexta-feira passada em Bissau, realizada em protesto contra o afastamento de Ialá da corrida eleitoral, e que acabaria por ser duramente reprimida pela polícia.

Polícia liberta manifestantes detidos

Entretanto em Bissau, o ministro da Administração Interna, Mumine Embalo, anunciou, em conferência de imprensa, a libertação de dez dos 11 apoiantes do PRS detidos durante a manifestação de sexta-feira, relata a TSF.

Apenas Artur Sanhá, secretário-geral do PRS, não compareceu na conferência de imprensa, por continuar internado no Hospital da Base Aérea da capital. O responsável foi detido após a manifestação, já depois de falar aos jornalistas que se encontravam no local, e segundo fontes do PRS terá sido espancado pela polícia após a detenção.

Embalo revelou que o caso está agora entregue ao do Ministério Público, adiantando que as onze pessoas detidas são acusadas de vários crimes, tais como “desobediência classificada, violência contra os agentes da autoridade, porte ilegal de armas”. Num anterior comunicado, o Governo tinha já responsabilizado Artur Sanhá e outro responsável do PRS pelos incidentes em Bissau, acusando-os de ter incitado centenas de jovens “a levar a cabo uma acção de perturbação da paz social e da ordem pública”.

Ainda assim, Embalo anunciou a criação de uma comissão de inquérito à actuação da polícia, que disparou tiros reais para dispersar os manifestantes, matando quatro jovens e ferindo vários outros.

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