O antigo Presidente da Guiné-Bissau Kumba Ialá entrou esta madrugada na sede da Presidência da República, em Bissau, tendo já recebido um ultimato para abandonar as instalações.
Segundo um comunicado do chefe do Estado-maior General das Forças Armadas, general Tagmé Na Waie, lido na rádio, Kumba Ialá tem até às 08h00 locais (09h00 de Lisboa) para abandonar aquelas instalações.
Kumba Ialá autoproclamou-se Presidente do país no passado dia 15 de Maio e anunciou o seu regresso ao poder para concluir o mandato de cinco anos — interrompido no golpe de Estado de 2003 — , pondo em causa a realização das eleições presidenciais marcadas para 19 de Junho.
Ao fim de dois anos de afastamento da vida política, o ex-Presidente decidiu candidatar-se às eleições presidenciais do próximo mês – uma decisão que só se tornou efectiva depois de o Supremo Tribunal de Justiça (a quem cabe validar as candidaturas) ter decretado que a renúncia de há dois anos não resultou "de um acto de liberdade e de vontade".
"Uma vez decidido o caso no tribunal, decidi dirigir-me ao povo da Guiné-Bissau para revogar publicamente a carta de renúncia e, consequentemente, reassumir o cargo de Presidente da República", afirmou Ialá, numa declaração proferida no passado dia 15 a partir da sua residência particular em Bissau.
O ex-Presidente confirma que foi obrigado a assinar a renúncia e a manter silêncio durante um ano e oito meses, razão pela qual remeteu o caso para os tribunais. "No decurso do processo no tribunal, os militares [do comité militar] foram notificados para se pronunciarem sobre o acto de renúncia e reconheceram que tinha sido obtido através da coacção moral e física", afirmou.


