Jimmy Carter acusa Seul e Washington de violar direitos humanos

Kim Jong-il disposto a dialogar com a Coreia do Sul

28.04.2011 - 13:24 Por PÚBLICO, Agências

  • Votar 
  •  | 
  •  1 votos 
O grupo de antigos dirigentes que se deslocou a Pyongyang O grupo de antigos dirigentes que se deslocou a Pyongyang (Jo Yong-Hak/Reuters)
O líder da Coreia do Norte está pronto para negociações com o Sul, sem pré-condições, anunciou o ex-Presidente norte-americano Jimmy Carter. Poderá ser um avanço, já que Kim Jong-il tem insistido que só discutirá o seu programa nuclear com os Estados Unidos.

Depois de uma visita de três dias a Pyongyang, Jimmy Carter não conseguiu um encontro com o “Querido Líder”. Mas trouxe uma mensagem recebida à última da hora: Kim está na disposição de se sentar à mesa das negociações, sem exigências, e falar com qualquer pessoa em qualquer momento.

“O líder e secretário-geral Kim Jong-il afirmou estar disposto, e que o povo norte-coreano está disposto, a negociar com a Coreia do Sul ou os Estados Unidos ou com os seis [países envolvidos nas negociações sobre o programa nuclear] sobre qualquer assunto em qualquer momento e sem nenhuma pré-condição”, disse Carter numa conferência de imprensa em Seul. “Ele disse-nos especificamente que está preparado para se encontrar directamente com o Presidente [sul-coreano] Lee Myung-back em qualquer altura”, adiantou.

A confirmar-se, e se Kim Jong-il aceitar realmente negociar o seu programa nuclear e outras questões militares com o Sul, será uma mudança na política do regime norte-coreano, que apenas aceitava Washington como interlocutor (que por sua vez recusava fazer desta uma questão bilateral).

Mas antes, Carter tinha escrito no site www.theelders.org do grupo de quatro antigos dirigentes – conhecido como os Anciões, e que inclui o ex-Presidente finlandês Martti Ahtisaari, a ex-primeira-ministra norueguesa Gro Harlem Brundtland e a ex-presidente irlandesa Mary Robinson – uma mensagem onde afirmava que haveria um condicionamento ao sim de Pyongyang para novas conversações. “A questão – e é uma grande questão – é que não vão desistir do seu programa nuclear sem uma espécie de garantia de segurança dos Estados Unidos”, cita a Reuters.

Há muito que o Norte exige do Governo americano – que tem 30 mil soldados no país vizinho – aquele tipo de garantias, tal como um acordo de paz (os três anos da guerra da Coreia terminaram, em 1953, sem um acordo de paz, pelo que os países envolvidos continuam tecnicamente em guerra).

Pyongyang também “manifestou o seu profundo lamento pela perda de vidas na [corveta] Cheonan e dos civis que foram mortos na ilha de Yeonpyeong”, adiantou Carter. Mas não apresentou qualquer pedido de desculpa pelos incidentes do ano passado com a Coreia do Sul (dos mais graves desde o fim do conflito), tal como exige Seul. O Norte tem negado qualquer responsabilidade no ataque ao barco de guerra sul-coreano, que resultou na morte de 46 tripulantes.

Norte precisa de ajuda alimentar

Jimmy Carter afirmou também aos jornalistas que tanto Washington como Seul estão a violar os direitos humanos por suspenderem a ajuda alimentar ao Norte.

“Um dos direitos humanos mais importantes é ter comida para comer, e a Coreia do Sul e os EUA e outros estão deliberadamente a reter a ajuda alimentar ao povo norte-coreano o que é uma violação dos direitos humanos”, declarou, citado pela BBC.

Os carregamentos de auxílio alimentar foram suspensos nos últimos anos depois de um agravamento das relações políticas e face a preocupações relativamente ao controlo da ajuda, recorda a estação britânica.

A organização humanitária norte-americana Samaritan’s Purse – uma das cinco ONG’s americanas que foram à Coreia do Norte em Fevereiro – declarou à AFP que até Junho irá agravar-se a falta de alimentos no país. Devido a um Inverno rigoroso, este ano as colheitas foram mais fracas e os norte-coreanos tiveram de sobreviver comendo ervas, folhas e cascas, adiantou.

“Achamos que muitas das regiões que visitámos terão falta de alimentos em meados de Junho”, declarou o vice-presidente da organização Ken Isaacs.

De acordo com as Nações Unidas, mais de seis milhões de pessoas – ou seja, um quarto da população norte-coreana – tem uma necessidade urgente de auxílio alimentar.

Notícia actualizada às 17h30

Estatísticas

  • 1475 leitores
  • 9 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1491703

Comentário + votado

Lenine - Na pressão.

O facto de os USA continuarem a manter uma força de tal envergadura na Coreia do Sul, devido aos ...

Achille Talon

29.04.2011 10:23

X

Mais em Mundo (12 de 21 artigos)

O café destruído pela explosão Quinze mortos em explosão no centro turístico de Marraquexe