O Supremo Líder, ayatollah Ali Khamenei, garantiu hoje que não vai ceder aos protestos nas ruas, que considera ilegítimos, e pediu o apoio ao Governo de Mahmoud Ahmadinejad.
“Durante os recentes incidentes relativos às eleições, insisti na aplicação da lei e continuarei a insistir. Nem o sistema nem o povo cederão à pressão”, disse Khamenei numa declaração ao Majlis, o Parlamento iraniano.
O Supremo Líder, a quem cabe a última e decisiva palavra sobre todos os assuntos de Estado, validou a reeleição de Ahmadinejad um dia depois do escrutínio, ignorando os protestos dos restantes candidatos. Nos dias seguintes, os apoiantes de Mir-Hossein Mousavi, o candidato que era apontado como adversário de Ahmadinejad numa segunda volta, tomaram as ruas de Teerão, em protestos que chegaram a reunir centenas de milhares de pessoas. Os candidatos ignoraram mesmo o ultimato que lhe foi feito por Khamenei no discurso de sexta-feira passada e no fim-de-semana os seus apoiantes voltaram a sair às ruas, em protestos que foram duramente reprimidos pelas forças de segurança.
Com a declaração de hoje – numa altura em que a polícia e as milícias parecem ter conseguido recuperar o controlo das ruas – Khamenei comprova que não planeia cedências, apesar de alguns sinais de divisão na hierarquia religiosa.
No encontro com os deputados, o Supremo Líder pediu-lhes que sejam cooperantes com o novo executivo, que Ahmadinejad deverá apresentar em breve. “Não sejais demasiado duros com o Governo [...] os seus trabalhos são difíceis e, no seu caminho difícil e acidentado, deve ser ajudado”.


