O líder supremo do Irão, o "ayatollah" Ali Khamenei, declarou ontem que o Irão pode tolerar uma oposição política, "desde que ocorra no quadro da República Islâmica e não seja danosa", disse, durante o sermão de sexta-feira. Por outro lado, manteve que Teerão deve permanecer firme quanto aos seus direitos nucleares, numa altura em que a União Europeia (UE) acusava o país de evitar as perguntas que lhe são feitas quanto às suas actividades nucleares.
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O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, citado pela AFP, afirmou que o Irão deve dar respostas às dúvidas sobre o programa nuclear; mas avisou também que um ataque preventivo, para tentar destruir as estruturas atómicas, seria “inaceitável e perigoso”.
As grandes potências que estão a negociar com Teerão decidiram pedir-lhe uma reunião “o mais cedo possível”, depois da sua última proposta, que eles julgam insuficiente, anunciou ontem o porta-voz do responsável pela política externa da UE, Javier Solana.
A França foi especificamente um dos países a julgar que o Irão não respondeu aos pedidos de um compromisso sério e que por isso lhe pediram um encontro multilateral antes do início da Assembleia-Geral das Nações Unidas, no dia 23.
Por outro lado, enquanto se manteve duro com o exterior, Khamenei estipulou as regras que poderá seguir uma oposição política: "Não deve recorrer à violência, ou trazer insegurança social, ou espalhar mentiras e rumores; a sua base tem de ser a da Constituição", continuou,
Observou que “as divergências de opinião não devem levar ao conflito”, mas ameaçou exercer represálias sobre os que no plano interno, segundo ele, ameaçam a segurança nacional, “resistindo ao sistema”.
Fazendo esta diferença entre uma oposição que actue dentro dos princípios da República Islâmica e aqueles que deseja mudanças radicais no regime, Khamenei "pretende criar uma divisão na oposição, entre o ex-Presidente Rafsanjani, que faz parte da trama institucional, e Mousavi, o segundo candidato mais votado nas eleições de Junho, que para Khamenei está a colocar-se um pouco de fora do sistema", comentou à Bloomberg Anoush Ehteshami, especialista em relações Internacionais da Universidade de Durham, no Reino Unido.


