O corpo de Muammar Khadafi foi enterrado esta madrugada num local secreto no deserto, noticiou a televisão Al-Jazira, citando fontes do Conselho Nacional de Transição (CNT, o órgão que tem governado a Líbia).
Membros da tribo de Khadafi terão conduzido orações fúnebres a assinalar o funeral, de acordo com fonte do governo provisório líbio, citada pela Al-Jazira, mas não foi dada indicação do local onde essa cerimónia ocorreu. Segundo a Reuters, as negociações com os responsáveis da tribo do ditador para receber o seu cadáver foram inconclusivas: “Não chegámos a acordo para que a sua tribo o recebesse”, declarara ontem fonte do CNT à agência noticiosa britânica.
Depois de terem capturado e morto o antigo ditador, com um tiro, as forças do CNT colocaram o seu corpo numa câmara frigorífica aberta ao público em Misurata, enquanto discutiam o que fazer com ele, para desconforto dos seus aliados ocidentais. O estado de deterioração do cadáver obrigou, na segunda-feira, a que fechassem as portas e tornou ainda mais urgente chegar a uma decisão.
Os corpos de Khadafi e do filho Moutassim e também o do antigo ministro da Defesa Abou Bakr Younes Jaber foram retirados da câmara frigorífica de Misurata na noite de ontem para dar início aos preparativos dos enterros, indicou à Al-Jazira um dos seguranças do armazém onde os cadáveres estavam guardados – e em exposição – há quatro dias. O porta-voz das forças militares do CNT naquela cidade, Ibrahim Beitalmal, confirmou esta informação, avançando ainda que o enterro seria feito hoje, em campas não marcadas e num local secreto "para evitar actos de vandalismo".
“[Khadafi] será enterrado amanhã num funeral simples com a presença de xeques. Será num local desconhecido no deserto”, afirmara já ontem à Reuters um responsável do CNT. A mesma fonte adiantou que a decomposição do cadáver de Khadafi chegou a um ponto em que “o corpo não dura mais”.
Khadafi foi morto em Sirte, aos 69 anos, dois meses depois da queda de Trípoli, a capital, e pondo fim a oito meses de guerra. O CNT insiste que o deposto líder, o qual governou a Líbia durante 42 anos de um regime autocrático, foi morto no “fogo cruzado” entre combatentes do movimento de revolta e forças que se lhe mantinham leais, depois de Khadafi ter sido apanhado escondido numa conduta de esgotos em Sirte, a sua cidade natal e cenário da derradeira batalha pelo controlo integral do país.
Esta versão tem vindo a ser porém questionada, com várias capitais ocidentais – Estados Unidos e Reino Unido à cabeça – assim como vários grupos de defesa dos direitos humanos a exigirem uma investigação às circunstâncias da morte de Khadafi, o qual sofreu ferimentos de bala no abdómen e cabeça, este último suspeitando-se ter-se tratado de um tiro à queima-roupa com as marcas de uma execução.
Notícia actualizada às 9h50



